domingo, fevereiro 27, 2011

Semeadura

Vês? É o renascimento do amor!
Nascido de uma última quimera;
O Outono! Foi o pai de uma flor,
Semeado, no botão de Primavera!

Quando, a paixão que tudo gera
No amor perfumado dos teus lírios;
É a sina, que na alma persevera
Com os beijos sedutores e delírios

  Da chama que não apaga, da lembrança
Que vem dos carinhos imensos
Do que foi uma fúlgida esperança  

Dos sentimentos, angélicos e encantos,
Do amor, que em ti eu semeei
E fecundado sob dores e os prantos...

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Amor Transcendente


Vê como o amor te transcendentaliza?
Vê que transfiguração divina há em teu olhar?
No apogeu do amor que te unge e diviniza
Tu és a beleza mais celeste, no clarão de um luar!

Que mistério te faz linda, no afago de uma brisa
Florescendo em tua alma, como deusa do Oriente?
São teus beijos e perfumes, que em sonho me avisa,
Dos lirismos de um céu, divinal Onipotente!

É um sonho lírico, devaneios do amor
Onde um sentimento de singela afeição
Passa por teu céu, gracioso, soberano!

És feliz, oh flor luzente amorosa!
Vai aos gozos de místicas paisagens!
Fazei da dor, a felicidade e o gozo humano!

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Sonho Inspirador

                                
                           É teu todo tempo, é tua toda inspiração
                           Transcende tua alma por todo infinito.
                           Renasce do amor, com o teu coração
                           Costuram as letras num sonho bendito...
                 
                           Pois na serenidade singela do incenso
                           Dos salmos bíblicos, e do sagrado rito
                           Vêm sons da alma de esplendor imenso
                           Vibram no céu sem pudor, sem conflito...
                 
                           Nas inspirações as estrelas meditam
                           Contritas, consoladas, ardorosamente
                           E os corações fitos nas luzes singram
                           Nas imensidões de uma luz plangente...
                 
                           Alma plena, de aroma que tudo purifica
                           Com o esplendor de tua sutil felicidade
                           É uma fonte cristalina, abençoada e rica
                           De raras aparições e doce amabilidade...
                          
                           Abençoando teu ser, com óleos santos
                           Inspiração criadora, mudo firmamento
                           Nas noites virginais de segredos tantos
                           Na transfiguração divina do sentimento...
                 
                           Nesse ambiente onde navega tua inspiração
                           Do mais profundo amor, com os olhos fitos
                           É teu caminho iluminado, com tua paixão
                           Com mágoas de ais, e ecos dos teus gritos...



Créditos da Imagem:
O descanso e Sonho do Poeta
Autores: José de Almeida & Maria Flores
Galeria Pública Arte Digital

http://br.olhares.com/o_descanco_e_sonho_do_poeta_foto2925777.html

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Essência de uma Flor

Quando a alma floresce na incerteza
E os pensamentos vagos à noite vão
Vêm os lívidos fantasmas da tristeza
Para rebuscar-te na força da solidão



Ecoando em tristeza, prantos e soluços
Quando vais às dores dos teus lamentos
Nessa cadeia, sem flores e sem os frutos
Na fogueira fria, vertida dos sofrimentos



Pra curar teu coração ferido e magoado
E conter as lágrimas soturnas, ardorosas
Do teu sonho, sofredor amargurado,



-Levanta ao céu que te acolhe em festa
Com tua alma agraciada, nevoenta
Para a noite do amor que te completa...

domingo, fevereiro 20, 2011

Teus Silêncios

Mundos silenciosos, profundos silenciosos!
Selados por uma paz, de uma doce melancolia
Embalam os teus seios, balsâmicos amorosos
E todos os sentimentos, do amor que te nutria

Sonho harmonioso, de doces contemplações
Do amor abençoado, do amor que me abraça
Segreda em minh’alma, palavras e sensações
Em teus vagos desejos de sonhos que me enlaça

Mas quanta ansiedade, vertida desta ternura
Do amor que eu nutri, por santa musa divina
Nas âncoras profundas, de sonho e aventura
Doado com todo afeto à Flor, que me ilumina

Alma doce, mas ferida, tristonha e palpitante
Que sonha com estrelas, cintilantes solitárias
Do sonho transfigurado sensual e fascinante
Dos mistérios de amor, de canções imaginárias

Tens ais de um adeus, de trêmulo castigo
Que lembra uma oscilante estrela que erradia
É como o ramo seco, ao vento sobre o jazigo
É como vejo teu ser, em dores com agonia

No teu ser de silêncio, de sonho e esperança
Tão doce e silenciosa, das flores e dos desejos
Rebenta na singeleza, em vida e temperança,
Quando em esplendor, revives em doces beijos!

sábado, fevereiro 19, 2011

Soneto no Quadro

Em um quadro, vejo um lindo soneto.
Virtuoso talento, colorido, enfeitado!
Cores intensas, de vibrante quarteto,
Do coração do poeta, o soneto pintado!

Pintado com vida e paixão tal soneto,
Dedicado às almas de oníricas visões!
Extravasa em beleza de lindo terceto,
Expressa na tela com amor e paixões!

As mãos do poeta constroem uma escrita.
Seus olhos enxergam amor em sua obra,
Das alegrias, das lágrimas, angústia e dores...

Pois o coração que inspirou o poeta,
Da saudade do amor que foi-se embora,
Só resta o soneto, a saudade e as flores...




Créditos da Imagem:
http://ocantinhoda.borboletaazul.net/2010/09/arte-naif/
Pintura naif de Emma Bianchini





quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Imortal Atitude

Por serdes de uma beleza fulgida formosa
Com ternura, por entre as flores delicadas
Tudo torna uma graça, para mim esplendorosa
Sobre tuas singelezas, virginais e imaculadas

Em teu corpo, há um letárgico encantamento!
Frutos da tua essência, pueril, e agraciada
Doces harmonias vagam em meu pensamento
Sonhos em que te via, alegre, e apaixonada!

Ouço uma canção, e sinto tal melancolia
Quando a escuto, vaga, triste, desolada
Sobre as lembranças, do amor que apetecia
Esperança que nutria, e agora abandonada

Fico sempre a pensar, se tu viesse a morrer
Será eterna angústia, e que mais me restaria?
Somente as canções, do amor, do bem querer
E o mundo que almejava, para mim sucumbiria

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Distância Consoladora

Na doçura angélica do teu olhar
De teu coração de amor tão lindo
De teu amor singelo a proclamar
E com poemas recônditos surgindo

Nas belezas celestiais e da ternura
Do sentimento imaculado infindo
Teu amor é o amor que transfigura
De teu tenro coração se abrindo

No entanto como que belezas vagas
Dessas belezas de sonhos de infância
Talvez recordações de outras plagas...

De uma fábula e cândida lembrança
De uma visão angélica delicada
Na visão consoladora da distância...

domingo, fevereiro 13, 2011

Galeria dos Miseráveis

Os miseráveis,
E os andarilhos
São estrelas apagadas
Vagando nas galerias,
Abaixo das construções...

Os desafortunados
Choram em direção
Em busca do Reino de Deus
Já que o Paraíso acolherá,
Certamente um ladrão...

Os malabaristas,
Fazem da rua um circo
Com platéia de milhão
Onde o show não acaba
Somente na contramão...

Atores segregados
Pela toxicologia humana
Representam o que são
Sem Disney, sem devaneios
Somente a crakolândia,
Reduto da perdição...

Galeria dos anônimos rotos
Pública e para todos demais!
Expõem debaixo dos viadutos
Abaixo da superfície,
A arte dos marginais...

sábado, fevereiro 12, 2011

Nos Recintos do Coração

 
No coração mais puro que possa existir
Tem um amor vertido por um alguém
Do amor mais puro que possa sentir
De amor sagrado que a vida sustém...

Sente o coração pulsando e tão devagar
Sente toda essa dor que à noite dizia
No silêncio notívago da alma a pensar
Do amor sublime que à alma nutria...

A Palavra mais doce que pudesse sentir
A Vida! Que já não era mais vida,
Em teu coração silente a ferir...

Em teus recintos ressurge uma prece!
Vagando nas horas, dos doces ensejos
No frio tumular, do amor que não perece!

*Imagem Google

Cálice de Absinto

Bebe! Do poema, cristalino adocicado!
E toma deste cálice o néctar do absinto...
Prova do poema perfumoso e desejado,
Nos aromas da essência que pressinto...

E num enlevo, sublime harmonioso
No aroma, tão angélico das rosas
Entoa um fado, romântico saudoso
De amor, de canções maravilhosas...

Nesse instante amoroso, delicado,
Que assim, dure nossa eternidade!
Num sonho, luminoso arrebatado
Do amor sublime, e total felicidade!

Nosso amor nos seduz, nos entorpece...
Transfigura! Os delírios vêm surgindo;
Nesse brinde em que um beijo apetece,
No instante, que a noite vem sorrindo...


“Absinto”, bebida destilada feito da erva Artemisia absinthium. Anis, funcho e por vezes outras ervas compõem a bebida. Ela foi criada e utilizada primeiramente como remédio pelo Dr. Pierre Ordinaire, médico francês que vivia em Couvet na Suíça por volta de 1792.[1]
É também conhecido popularmente de fada verde (La Fée Verte) em virtude de um suposto efeito alucinógeno.
Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, Vincent van Gogh, Oscar Wilde, Henri de Toulouse-Lautrec e Aleister Crowley eram adeptos da fada verde.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Acordes de Amor

No dia mais bendito de minha vida
Em que tuas palavras vieram do céu...
Senti no esplendor da tua luz bendita,
Como que o descortinar de um véu!

Toda a plenitude que me faz viver
É como lindo acorde em uma cantata
Eis que sinto minha vida ascender
Que em êxtase me alucina e arrebata!

Mas de onde vem tal sentimento,
Que me eleva me seduz e me acalma?
Vem da inspiração, do encantamento!
Vem do coração, vem da luz da tua alma!

Meu coração acompanha tua melodia!
Êxtase arrebatador, minh’alma toca!
Quando ouço de ti, no mais sublime dia
O que do teu mundo, celestial evoca!

terça-feira, fevereiro 08, 2011

As Pedras Clamam...



Ó pedra, pedra... Ó grandiosa penha!
Pedra em que do meu caminho faz
Fronteira que no céu desdenha,
Misteriosa, mítica, símbolo da paz!

Tanta grandiosidade, nessa solidão!
Primitiva herança da soberba imensidade
Altares, monolíticos e do tempo são,
Testemunha eterna da Divina Santidade!

Obeliscos nessa terra deslumbrante!
Solenes esculturas, cinzeladas,
Nos desejos, do mistério sacrossanto.

Ó gigante adormecida, colossal gigante!
Misteriosas visões atravessam desoladas
A vida se acabando, dolorida e em pranto.

Pedra Altar



Às vezes fico um instante
Aquela pedra contemplar
Solitária no meio da mata
Parece um grande altar
Devoto alguns instantes
Uma prece a meditar
Ofereço a ti ò Deus
Meu corpo naquele altar
Assim como Isaque
Também me poupará
A pedra é um convite
Ao seu alto me levar
Quem sabe lá de cima
Meu caminho avistar



segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Ironia das Lágrimas

Se a angustia desse amor te crucifica
Não é o amor culpado da tua aflição
Ele deixou a herança e agora testifica
Da tua delicadeza, pureza e afeição

Estarás para sempre nos poemas
Nos poemas de amor e do que fica
Versos floreados dos teus temas
Na transfiguração de tua alma rica

Estás hoje na saudade consumida
Por lembranças, pelas flores e delírios
Com os sonhos, e uma triste despedida
Sem as jóias adornadas sem os lírios

Mas é que a tua sublime trajetória
Na convulsão dos teus soluços tantos
Foi embebida de lágrima ilusória
Das águas vertidas dos meus prantos...






sábado, fevereiro 05, 2011

Versos Carnais


Dentre os versos mais íntimos do coração
Por entre as canções, das vozes ofegantes
Enquanto escrevo, ascende uma paixão
Que ascende, aos céus fúlgidos radiantes...

Como incenso aromático, maravilhoso
Eleva-se tal paixão, da alma soberana,
Nas vibrações do amor, puro, fervoroso
Paixão que faço, da ansiedade humana...

Renasce o amor, de tal paixão fremente
Que choro, sofro, em saudade ardente
Por entre os sonhos, das visões dos astros

Das glórias, dos incensos, de uma chama,
Que delicadas formas, o teu corpo sente

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

A Inspiração

De onde vem a misteriosa inspiração?
De um mundo de centelha luminosa,
Com cantigas memoráveis de paixão
Ou na virtude consagrada e amorosa?

-Aparece do sonho amoroso delirante!
Com requintes de beleza e da calma;
Dos lampejos do clarão esfuziante,
No silêncio sacrossanto duma alma...

Ou no êxtase do amor ou da razão
Que renascem na jornada dum caminho
Como luz, como um cântico sereno...

Da alegria, de uma dor, ou uma afeição
Ou então ressurge em prantos
Que nos versos, faz nascer uma ilusão...

O texto acima escrevi inspirado na “A Idéia” do grande poeta, Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, ícone da literatura brasileira. Nascido no Engenho Pau d’Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884. Aprendeu com seu pai, bacharel, as primeiras letras. Fez o curso secundário no Liceu Paraibano, e segundo pessoas da época, era tido como uma pessoa doentia e nervosa. Seus pais eram donos de engenhos, e assiste, nos primeiros anos do século XX, à decadência da antiga estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas. Em 1903, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1907. Ali teve contato com o trabalho “A Poesia Científica”, do professor Martins Junior.
Seu único livro, “Eu”, foi publicado em 1912. Surgido em momento de transição, pouco antes da virada modernista de 1922, é bem representativo do espírito sincrético que prevalecia na época, parnasianismo por alguns aspectos e simbolista por outros. Praticamente ignorado a princípio, quer pelo público, quer pela crítica, esse livro que canta a degenerescência da carne e os limites do humano só alcançou novas edições graças ao empenho de Órris Soares (1884-1964), amigo e biógrafo do autor.
A métrica rígida, a cadência musical, as aliterações e rimas preciosas dos versos fundiram-se ao esdrúxulo vocabulário extraído da área científica para fazer do “Eu” — desde 1919 constantemente reeditado como “Eu e outras poesias” — um livro que sobrevive, antes de tudo, pelo rigor da forma. Com o tempo, Augusto dos Anjos tornou-se um dos poetas mais lidos do país, sobrevivendo às mutações da cultura e a seus diversos modismos como um fenômeno incomum de aceitação popular. Vitimado pela pneumonia aos trinta anos de idade, morreu em Leopoldina em 12 de novembro de 1914.

Adeus no Entardecer



Quantas felicidades, com tu nesta vida...
Do amor mais sublime e um lindo querer!
Da vida amarga tornada tão linda,
Sonhada em minh’alma e um lindo viver...

Sonhada com o amor tão singelo glorioso,
Sonhada com estrelas ao céu envolver...
Eras tu, em meu sonho singelo e formoso,
Eras tu uma glória, que sempre quis ter...

Sensações dolorosas de uma vida acabando...
Sensações de uma vida sem graça ficar,
Sensações sepulcrais de uma vida expirando...
Descendo ao um leito na terra findar...

Há prelúdios, e há carinhos imensos,
Melancolias, perfumes, ermos lendários...
Há no entardecer, os brilhos intensos,
Há versos nostálgicos, pueris, solidários...

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Flor Urbana

Onde estarão os olhos que te admiravam?
Pois veio a chuva forte e te destruiu!
Onde estarão as mãos que te ofereciam?
Pois veio o sol quente e te consumiu!

Nos jardins desta terra destruída
As flores murcharam, findaram carinhos.
O perfume de outrora, exala ainda,
Das flores formosas, restando os espinhos...

Para o fogo serão transformadas em cinzas
Que os homens na enxada irão recolher,
E as máquinas robóticas, frias, irão destruir.

Mas as sementinhas que a brisa salvou,
Que a natureza concedeu em dádiva,
-Uma paixão renasceu, e o amor retornou!

terça-feira, fevereiro 01, 2011

A Janela Surrealista



Lá no litoral, um quadro surrealista...
Na parede da casa, na sala de estar.
Fascinado aprecio a obra do artista,
A obra me eleva, e fico a pensar...

                 No mesmo instante de frente à janela,
                 Na sala de estar observo além...
                 Os raios do sol se pondo atrás dela,
                 Em rara beleza e brilho também!

Fascinante e grande, o sol amarelo,
Parece a gema de cor bem dourada.
Saindo de um ovo o sol tão singelo,
Se pondo ao mar numa tela pintada...

                 -É um ovo gigante, é um ovo ao mar!
                 Das mãos do artista, pintado na tela,
                 Parece um sonho na sala de estar,
                 Que a tarde observo defronte à janela!

O quadro na sala é todo difuso,
É poesia de um mundo disforme...
Um mundo irreal e de todo confuso,
Tudo normal, e nem tudo conforme...

                 De frente à janela eu volto a olhar.
                 O sol majestoso... O sol muito lindo!
                 Brilhando reflete na linha do mar,
                 Além do horizonte lá vai reluzindo...

Estou feliz ao sonhar plenamente...
Pois fiz da janela um quadro a pintar!
Pintando na mente um sol diferente,
Um sol reluzente em minh’alma brilhar...


Vladimir Kush, discípulo de Salvador Dalí
Vladimir Kush é um pintor russo, nascido em 1965 em Moscou, e se identificou com o movimento do realismo metafórico. Ele experimentou vários estilos do impressionismo depois de ver a obra completa de Salvador Dalí nos anos 80. Segundo ele mesmo diz, as pinturas realistas mostram os limites de cada artista e ensinam ao visionário que cada um tem em si as metáforas das imagens impossíveis quando exploram as camadas do sentimento.
O quadro acima é chamado de "Sunrise by the Ocean", e me inspirou a escrever o poema.

Vinho de Jesus

Num dia festivo de um casamento,
Cantores, flautas, e gente a dançar.
Música, tambores, e alegre momento,
Que mais poderia alguém desejar?

Banquete, barulho, e burburinho!
É um casamento de boda em Caná.
Jesus, sua mãe para lá convidados,
Nos potes, porém, o vinho não está.

O Mestre, no entanto nem reclamou,
Pois nada do vinho sequer lhe deixaram,
O Mestre discreto, calado ficou
Nem mesmo as taças com vinho restaram

Maria avisou ao Mestre Jesus
Jesus aos servos ordena na hora
-Enchei com água todos os potes
A água nos potes em vinho transforma!

Provaram do vinho, os homens na sala.
Disseram a todos: - Mas que saboroso!
Alguém tão surpreso a todos declara:
-Meu Deus, é um vinho suave e gostoso!

O vinho da água que o Mestre tornou,
Do néctar do fruto da nobre videira,
Levou-me um instante na vide pensar,
Caná e o milagre singelo das bodas:

Com esse milagre Jesus, e o vinho
Ficou a mensagem à todos então.
Bebida das mesas dos ricos e pobres
Será nosso vinho embebido no pão.

O sangue do vinho tinto na taça
O vinho que alegra o meu coração
O aroma do vinho branco não passa
Nos doces momentos de Eterna Paixão.

Minha Morada

Tu és minha doce e sublime morada...
Que minha vida amarga, sem doçura
Anseia-te, como a flor mais desejada
Escondida, em lampejos de ternura

Tu, que dorme na sublime luz bondosa
Onde a paz, do amor que te enaltece
Sãos encantos e perfume de uma rosa
Que na alma, ansiosa, lhe enternece

Do amor, entre amores florescidos
De soturnos, e silente aconchego
Vai ao seio, de uma paz misteriosa...

Minha vida, feito sombra passageira
Que o tempo, arrebata e atormenta
Torna em cinzas o amor dessa caveira