sábado, abril 30, 2011

Alma Aflita

Uma alma aflita sem rumo, sem direção,
Sofre angustiada pelo amor dilacerado...
Em seus sonhos, resta amor e afeição,
Em seus sonhos resta o amor alucinado...

Tão bendita como a graça do amaranto,
Dos perfumes, dos aromas, das purezas...
Tem na graça, o perfume e um encanto,
Têm no amor agraciado as singelezas...

De sua alma vertem sonhos de amor
Verte o aroma perfumoso puro e casto,
Mais sublime que a beleza de uma flor...

Outra alma verte amores e, entre tantos
Com as flores, com os sonhos, e os beijos
Vai vivendo no silencio de seus prantos...

segunda-feira, abril 25, 2011

Eternas Chamas


Que não chores e não gemas
Alma triste, desolada e ansiosa!
De poesias, amorosas e serenas
Da doçura, arrebatada, gloriosa!

Do amor, e de celestes paisagens
De emoções, de encantos e beijos!
Onde nasce em fúlgidas imagens
A tua graça e os místicos desejos!

Há em tu’alma uma centelha viva!
Há um fogo ardente dentro d’alma,
Vivo e flamejante, dentro do coração...

Há cortejos dos séquitos alados
Que com os arcanjos e alaridos,
Vem trazer a paz, e findar a solidão...

***

As Eternas Chamas
E os espíritos das Chamas velam por ti!
É fogo puro, são “O que não sei descrever”...
As chamas estão acesas diante de um altar,
Iluminando teus caminhos...
Ao entrares e ao saíres, e por onde for,
Elas estarão te observando!
Esse é meu desejo ardente
Do que sinto por ti!
Das chamas da sarça que não queimam,
Que não se apagam,
Do Amor que arde em mim...

terça-feira, abril 19, 2011

Infinito Amor

Este amor, puro, santo e caloroso
É a graça, que nos une e é benfazejo
Pois acolhe minha alma com um beijo
Com um aroma, divinal e ardoroso

Angelical, meigo, cálido e formoso
Em minh’alma acalenta, transfigura
Em minh’alma é consolo, é ternura
Como bálsamo de rosa, perfumoso

Este amor, benfazejo e inaudito
Concebido no esplendor do infinito
É um amor, lá dos lábaros sagrados...

Vem das divindades e das emanações
Vem no alvor de doces contemplações
Nos consolos divinais e abençoados

segunda-feira, abril 18, 2011

Rosa de Saron

Em teu ser, compassivo e amoroso
Paira a Luz do sagrado sentimento...
Paira amor, sacrossanto e fervoroso
Paira em ti, um milagre e um alento...

É alma a tremular pelo frio angustiante
São ais de dores, sofrimentos e um rito...
Mas Cristo piedoso, salvador e triunfante
É o seio mais sublime que acolhe o aflito...

São milagres estampados em seus mantos,
São mistérios inefáveis dos desejos
São as dores terminadas em meus prantos!

Transpassado pela dor e um veredicto,
Trucidado por carnal deslumbramento
É a Rosa de Saron, é a paz que ressuscito...



A Páscoa no judaísmo, representa o anseio por liberdade, justiça, dignidade humana, e fazem parte da festa de Pessach, é eterno e universal.
No cristianismo, Jesus Cristo através de seu sacrifício vicário, vem representar para a humanidade, o renascimento, a passagem da morte para vida.

domingo, abril 17, 2011

Um Visionário

Vagueio por entre os túmulos ermos
Por entre as dores, os ais e os conflitos...
Clamo aos céus de insondáveis termos
O seu amor, e a paz para os aflitos!

Diante de mim, um mundo amargurado...
Nesses clamores de cândidos momentos
Minha alma vai, meu corpo é sepultado
Na vã ingenuidade, de tolos sentimentos

Dos mais floridos e fúlgidos encantos,
A vida vai por caminhos florescendo
Gerando sonhos, de sonhos entre tantos!

Em meu caminho de místicas paisagens,
Peregrinando, em ânsia, arrebatado
Um visionário, do amor e das miragens...

sábado, abril 16, 2011

Sublime Loucura

                                        Na sublimação mais doce de tua alma
                                        Onde há canções, pueris maravilhosas
                                        É a beleza mais bendita que me acalma
                                        Cintilante como estrelas mais formosas!

                                        São nos êxtases sublimes dos sonhos
                                        Profundo êxtase, nos braços do amor
                                        Surgem por límpidos céus risonhos
                                        Com a graça, com beleza e esplendor

                                        Palpitam sob a dor dos meus conflitos
                                        Os desejos dos momentos dadivosos
                                        Quando nos clarões celestiais infindos
                                        Pulsam corações, doces, harmoniosos

                                        É quando sinto teu coração pulsando
                                        Quando em beijos cálidos, estremeço
                                        Em minh’alma vou te acompanhando
                                        Em meu peito com amores me aqueço

                                        Quando vens, na doçura do teu beijo
                                        Que à noite amorosa como as vestes
                                        Vem despindo, graciosa e com desejo
                                        Pra luzir com as formas mais celestes

                                        Sinto que esta chama que me aquece
                                        Que em perfumes de incenso do altar
                                        Vem cingir com candura e enternece
                                        Com carinhos, delicados te embalar

                                        Mas sinto que tu’alma desprendida
                                        Maravilha, e singeleza das quimeras
                                        São anseios radiantes de tua vida
                                        De esplendor, ideal das primaveras

                                        Quando te escuto, e te olho reverente
                                        Sinto a graça de uma paz consoladora
                                        Dos ocasos do amor, que tão fremente
                                        Entre as ânsias de uma alma sofredora

                                        Mas estes vãos sentidos, inclementes
                                        Que às vezes em minh'alma transparece
                                        Parecem frívolos e prazeres ardentes
                                        Do amor que pressinto e me enlouquece...


quarta-feira, abril 13, 2011

Doce Esperança

Na doçura do olhar e com ternura
Esta alma, melancólica, singela
Feito um anjo de beleza e candura
É a graça lacerada, flor tão bela...

Imagino que belezas, que encantos
Que esta alma em total melancolia
Aparece com as flores e os mantos
Taciturna, que pranteia em agonia...

Que desejos incontidos, anjo triste,
Que te fere, que tortura, ou te enlaça
Que em tu’alma transfigura e resiste
Na visão amargurada que hoje passa...

Tudo isso são os trêmulos martírios
Sentimentos de uma fúlgida lembrança
Do amor sepultado com seus lírios
E consolo de uma vaga esperança...


 

segunda-feira, abril 11, 2011

Carruagem de Fogo

Raul Seixas
Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989

"Alguém sentiu o teu sofrimento obscuro
Amigo mensageiro solitário entre os seres
Talvez louco, peregrino, sapiente e imaturo
As letras te alçaram aos mistérios e prazeres..."
 
***
Foste irmão, companheiro e sincero.
Amigo! Quando foi que nós nos vimos,
Todas as vezes que o amor dividíamos,
Ao arrebatar-me do abissal mortífero?

Em tua bondade, amigo herói e leal,
Rompeste dificuldades, dividiste o pão;
No auge das festas, e da míope ilusão,
Na febre medonha, do delírio mortal...

Ouço, não acredito, duvido choro!
Da voz do infortúnio, desabo,
O mundo gira, cegam-me os olhos, a dor enluta...

Amarga tristeza dessa desgraçada sina
Perdi um irmão para a cabalística Morte
Hei de beber o fel, ao amigo lhe coube cicuta...


Crédito Imagem:


sábado, abril 09, 2011

As Ovelhas

   
  
Naquele recanto calmo tão profundo
De uma doce e tão sutil suavidade
Parece emanar de outro mundo
Harmonia, quietude, paz, felicidade

Naquele recanto pastam as ovelhas
Que na luz do sol e as aves em gorjeio
Um mundo virginal e cem centelhas
De sonho, de quietude, e um devaneio

É assim que findam, é assim que vão
Os dolentes troféus dos nossos filhos
Ovelhas quietas a pastar, pois estão
Frágeis, contritas, nos singelos brilhos

Abatidas junto aos cálices amargos
Dos vinhos nas mortas quimeras
Para além destes céus mudos largos
Na amplidão soturna das esferas

           † 07/04/2011

quinta-feira, abril 07, 2011

Segredos de Amor

No teu sono onde há almas chorando
Estrelas cintilam plangentes ao luar
Com anjos à noite ao leito clamando
Teu nome augusto e o verbo amar

No gozo celeste, sem dores, sem ânsias
No segredo que acolhe a alma aflita
Soluçam as flores de doces fragrâncias
Carinhos que vem com paixão infinita

Segredos da alma e desejos fecundos
Que hei de ver nos enlevos profundos
Transfigurado por amor e sentimentos...

Na fatalidade de tua alma esplendorosa
Recônditos profundos, mistérios da rosa
Dorme embalada, pela voz dos ventos...

                                   

terça-feira, abril 05, 2011

Tributo a uma Guerreira (Sta. Joana D'arc)


Em paz na tênue bruma do santo lugar
Choram os orvalhos na laje esculpida...
Junto à escultura me ponho a rezar,
De alva singela, de nobre e tão linda...

Por rudes caminhos eu vim peregrino
Em solo bretão de um santo templário
Na paz tranqüila e talvez meu destino
Em doces encantos de tal santuário...

Um santo lugar de lendas e glórias...
Que hoje contrito devoto uma crença
Nas lutas extremas de tais sentimentos.

Transborda em mim a sutil devoção
No longo silêncio do amor tão singelo
De prantos tardios pelos teus sofrimentos.




Joana D’arc nasceu na França no ano de 1412 e morreu em 1431 (época medieval). Foi uma importante personagem da história francesa, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), quando seu país enfrentou a rival Inglaterra. Joana D’arc foi canonizada (transformada em santa) no ano de 1920.
A história da vida desta heroína francesa é marcada por fatos trágicos. Quando era criança, presenciou o assassinato de membros de sua família por soldados ingleses que invadiram a vila em que morava. Com 13 anos de idade, começou a ter visões e receber mensagens, que ela dizia ser dos santos Miguel, Catarina e Margarida. Nestas mensagens, ela era orientada a entrar para o exército francês e ajudar seu reino na guerra contra a Inglaterra.
Motivada pelas mensagens, cortou o cabelo bem curto, vestiu-se de homem e começou a fazer treinamentos militares. Foi aceita no exército francês, chegando a comandar tropas. Suas vitórias importantes e o reconhecimento que ganhou do rei Carlos VII despertaram a inveja em outros líderes militares da França. Estes começaram a conspirar e diminuíram o apoio de Joana D’arc.
Em 1430, durante uma batalha em Paris, foi ferida e capturada pelos borgonheses que a venderam para os ingleses. Foi acusada de praticar feitiçaria, em função de suas visões, e condenada a morte na fogueira. Foi queimada viva na cidade de Rouen, no ano de 1431.

sábado, abril 02, 2011

Inefável Amor


Minha amada, que enlevo te faz divina
Como flor de fúlgidos encantamentos,
Encarnada nos doces acalentamentos
No êxtase sensual que arrebata e alucina?

Fizeste das formas e aromas de enleios
As sinfonias do ocaso, anjos d’alvorada.
Relíquias imortais, bendita, apaixonada,
E a fina flor, dos mistérios e devaneios

Alma das almas meu singelo abrigo!
Meu amor, seio augusto, consolo amigo
Meu bálsamo, perfume cândido sagrado...

Junto às fontes, de amores insondáveis
Estarei contigo, nos mistérios inefáveis
Com meu coração ardente, apaixonado...