segunda-feira, maio 30, 2011

Enlevo Amoroso


Os olhos piedosos, tristonhos da escultura,
Da delicada forma, esculpida e entalhada;
São tão meigos, tão sublimes na sepultura,
Jazigo de um amor, duma flor abandonada.

Os mármores singelos dessa sepultura,
Evocam uma pureza, angelical e lutuosa.
Evocam uma agonia, e ais da desventura,
Agora jaz aqui, sem perfumes de uma rosa.

É que este amor que trago no coração,
Adentra tu’alma com rosas em comunhão;
No ardor silente dos prantos e meus gemidos.

Medito na plenitude do amor e dos anseios,
Dos sentimentos saudosos dos devaneios;
Que verto através desses mármores floridos.


Crédito da Imagem: Helena Schwonke
HTTP://pelotascultural.blogspot.com/
Blog Pelotas capital cultural
De Francisco Antônio Vidal


sexta-feira, maio 27, 2011

Diante de Ti

 
Que poder é esse que há em teu Ser
Que me eleva diante de teu altar
À tua mesa, em teu templo ao te ver,
Sentindo o Amor Eterno pulsar?

O amor te completa, a paz te conduz
Na alegria da festa, solene, inaudita.
Tua vida transcende, reflete e reluz
Cingindo tu’alma, gloriosa, bendita.

Esplendores de mundos imensos
Envolvendo o teu corpo divino,
São clarões luminosos intensos!

Teu amor soberano, divino, etéreo
É o maior dos profundos encantos...
Lótus formoso é, da vida doce mistério!



quinta-feira, maio 26, 2011

MORADA CELESTIAL (Tributo a João da Cruz e Sousa)


Lá, no negrume etéreo das jornadas,
Onde os anjos antecedem aos mortais;
Lugar, que dos deuses são moradas,
Regiões celestes dos tronos de cristais!

Lá, no vasto sideral espesso e místico,
Do cosmo gasoso, infinito e fulgurante;
Floresce a paz de um mundo cabalístico,
Uma dádiva de Deus, sublime radiante!

Lá, na plenitude deste mundo sideral,
Do sagrado fogo, do amor divino, santo;
Dos desejos d’alma, do celeste abrigo,

Habita a Plenitude, soberana e imortal,
Com as Luzes Gloriosas é um encanto,
Etérea plaga, sem pecado, sem castigo...


João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, atual Florianópolis, capital da então província de Santa Catarina, no dia 24 de Novembro de 1862. Era filho dos negros alforriados, Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro, e Carolina Eva da Conceição. Portanto trazia consigo, o sangue sem mescla de suas raízes africanas. Mas as circunstâncias proporcionaram para que Cruz e Sousa fosse amparado na infância, por uma família de linhagem fidalga, onde recebeu a tutela e uma educação refinada de seu ex-senhor, o Marechal Guilherme Xavier de Sousa – de quem adotou o nome de família, Sousa. Amparado por essa família, estudou francês, latim e grego, além de ter sido discípulo do alemão Fritz Müller, com quem estudou Matemática e Ciências Naturais.
Nos seus trinta e seis anos de existência, peregrinou por todo um período de experiência de agruras e sofrimentos. É claro que pelo fato de ser negro em sua época, o sofrimento fora ainda maior. Em 1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial. Em 1883, foi recusado como promotor de Laguna.
Em 1885 lançou o primeiro livro, Tropos e Fantasias em parceria com Virgílio Várzea.
Após longas peregrinações pelo norte e sul do país, aportou na cidade do Rio de Janeiro, onde trabalhou como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil, colaborando também com o jornal Folha Popular. Em Fevereiro de 1893, publica Missal (prosa poética) e em agosto, Broquéis (poesia), dando início ao Simbolismo no Brasil que se estende até 1922. Em novembro desse mesmo ano casou-se com Gavita Gonçalves, também negra. Viu a mulher enlouquecer, pelo fato de seus quatro filhos morrerem vítimas de tuberculose. Sofreu miséria, amargou ultrajes.
Morreu a 19 de Março de 1898, na cidade de Sítio, Minas Gerais, para onde fora levado as pressas vencido pela tuberculose.
Escrevi Morada Celestial, inspirado nesse ilustre poeta, um de meus prediletos.



terça-feira, maio 24, 2011

Carma Evolutivo

Num desfecho intrigante vem a morte afinal,
Em uma longa espera, para a vida encerrar.
Com seus braços na espera da lida corporal,
Feito sombra passageira, para nos agasalhar...

Na fronteira insondável de moradas infinitas,
Comovente, misteriosa, para nos encaminhar;
E que hoje simboliza o descanso dessas lidas,
E num último suspiro, para que se preocupar?

Quando estivermos a caminho do insondável,
Ilusões se findarão, das loucuras execráveis,
E esse corpo, nossa roupa, iremos descartar.

É quando vem as luzes do esplendor celestial,
Pra vencer a morte e para vidas memoráveis,
Em astrais desagregados, noutra vida encarnar!




A crença na rencarnação está presente em alguns sistemas filosóficos e religiosos, segundo a qual uma parte do Ser é capaz de subsistir à morte física. Chamada de consciência, espírito ou alma, essa porção seria capaz de voltar sucessivamente a diversos corpos com o intuito de auto-aperfeiçoamento ou a anulação do carma. A reencarnação é uma das doutrinas do Espiritismo, codificado por Allan Kardec, do Hinduísmo, do Jainismo, da Teosofia, do Rosacrucianismo e da filosofia platônica. No entanto existem vertentes místicas do Cristianismo como, por exemplo, o Cristianismo esotérico, que também admite e aceita a reencarnação.
Diz-se que a vida é a passagem que a alma tem para o aprendizado.
Antes de nascer o ser já sabe para onde vem e para o que vem, e tudo terá de ser cumprido.
Se houver uma interrupção repentina, o karma não foi cumprido então a alma terá de cá voltar quantas vezes forem necessárias até que seu aprendizado se cumpra.
Por isso muitas são as vezes em que pessoas se questionam, o porque de certas dificuldades e fatalidades que lhes acontecem, ai está quando o corpo partiu tão depressa tinha muito que resolver, e não deu tempo, então ai volta para resolver as pendências que cá deixou.
Mas como a alma sempre vai encarnar num corpo diferente até aos 3 anos ele se lembra de muitas coisas, a partir dai em diante tudo é esquecido, é por essa uma das razões que não nos lembramos de nada para traz e sim dai em diante.

Colaboradora: Franciete Filipe

sexta-feira, maio 20, 2011

Anseios

Um sentimento nostálgico, secreto
Que uma saudade na alma trazia
Deslumbramento velado, discreto
Na alma soturna, pulsava e nutria...

Eram encantos vagos que acordei,
Palpitando em meus sentimentos!
Encantos de lágrimas que derramei,
Ânsias fluídas dos tristes lamentos!

É de tal forma esse carinho imenso
É este enlevo por teus lindos encantos
É divino, sagrado, sublime, intenso
Vertido na alma em puros quebrantos

No seio de paz, há gozo e descansos...
Num descortinar sempiterno vibrante,
Ao adentrar teus recônditos remansos
Vejo lá tu’alma! Liberta, doce, arfante!


quinta-feira, maio 19, 2011

Hosana do Amor


Os braços piedosos, languidos, abertos
Da delicada forma e pureza imaculada
São tão meigos sublimes e sempiternos
São aconchegos desta alma agraciada!

Que nos amores singelos desta ternura
E nesta beleza angelical tão fervorosa
São deleites abençoados desta candura
Quando ressurge uma paz harmoniosa...

Tu és a Hosana em flor e o sagrado incenso
Que sob os céus fúlgidos, iluminados,
Clamas em doce voz – Sublime amor imenso!

Dos enlevos, e os puros deslumbramentos
Nesta saudade que exala doces fragrâncias
Vejo tu’alma linda, em doces encantamentos!

 

domingo, maio 15, 2011

O Manto



Um manto esconde a doce figura.
Esconde a face dorida, silenciosa
Esconde a vaidade e uma ternura
Esconde uma prece harmoniosa...

Será esta beleza de pura melancolia
Ou de uma alma feliz e agraciada
Fechada em mantos que trancafia
Em noites de uma paz dilacerada?

Mas esse eterno e fatal isolamento
Envolve-te num luar simbolizado
Nas sombras do teu esquecimento...

Jaz sobre ti um céu negro infindável
Envolvendo-te nas densas trevas
Trancafiado, tristonho, impenetrável...




*Imagens google


sexta-feira, maio 13, 2011

Ecos do Infinito


Vejo-te doce alma, triste e desolada
Excelsa, doce, do amor transcendente...
Cantando em letra graciosa adornada
As tuas saudades, tristonha plangente...

Não sei por que, vejo-te pelas brumas
Além do oceano, das terras distantes...
Nas ondulações de espessas escumas
Vejo-te adornada, mais linda que antes...

É sentimento que provém ao largo
Em meu coração, do afeto que sinto
Nas inspirações que hoje vos trago...

São as solenes harpas que entoam
Saudades de um amor transcendente
Nestas tristezas que os mares ecoam...



segunda-feira, maio 09, 2011

Frutos Divinos

São frutos dos deleites, carnais, e delicados,
Tuas mãos ebúrneas, das flores e os delírios;
Teus pés angelicais, divinais e perfumados,
E tua cabeleira, adornada como os lírios.

Tua boca sedutora, que adoçam com os beijos,
Dos sonhos extasiantes de febril apaixonado;
Teus olhos que refletem a paixão e os desejos,
De amores e a lascívia, exultante e alucinado.

Os frutos que gerados da matéria abençoada
Virginais e majestosos em sublime escultura
Florescem abundantes com a chama emanada
Nesta graça feminina do amor que transfigura

Mas essa tua forma, de volúpia e sensação
Acendem uma chama, da mais pura alegria;
Que vertem dos mistérios dos amores e paixão,
Adoçando paladares, que alimenta, e que extasia!


*Imagem: O Nascimento de Vênus - Sandro Botticelli


sábado, maio 07, 2011

Para Sempre Mamãe - Tributo a D. Maria Erdei



Para Sempre Mamãe
(À Dona Maria Erdei)

Em teu sono mãe, medito, me achego...
Teu rosto angelical parece que sorri.
Abençoada no infinito aconchego,
Ainda sinto amor, do amor que recebi.


Sentimento, tão profundo acalentar!
Sob a graça fulgurante de uma rosa,
É teu vulto, como um anjo a cantar
Com ternura, de uma santa amorosa.


Nem mesmo um instante ou um só minuto,
Esqueço tua alma virtuosa, pura e casta,
Dentro desta saudade dolorosa, e neste luto.


Sinto teu ser em minh’alma ainda a falar...
Pois nesta ausência dolorosa que me arrasta,
Vejo-te em sonhos, maternos a me afagar.


Crédito da imagem acima:
"Os órfãos no túmulo de sua mãe"
Poema também editado no Lírio das Almas
http//liriodalma.blogspot.com
http//liriodalma.blogspot.com

quinta-feira, maio 05, 2011

Asas Quebradas


Quando será que tanto amor profundo
Que na alma, concebido e agraciado,
Será pleno em tu’alma, em teu mundo
Sob a chama imortal de teu legado?

Quando será que as luzes as mais puras
Dos fulgores celestinos, dos encantos,
Nas estrelas, nas esferas, nas alturas
Vão banir todas as dores e teus prantos?

Onde está o teu encanto, e o que eras
Todo amor, que te fez tão florescente
Doce Glória, e anjo lindo das quimeras...

Meu coração e meu corpo são teu ninho
Em minh’alma há ternuras te aguardando!
Vem ser meu amor, o meu anjo, meu caminho...

quarta-feira, maio 04, 2011

Sonho dos Sonhos


É impossível descrever tamanha beleza
Neste rosto singelo de raras aparições
Não posso mensurar tamanha leveza
No amor que te envolve nestas visões

Mas é quando a saudade me abraça
E a distância me tortura em prisão
Procuro no céu o ar de tua graça
Rebusco no fundo de minha razão

Nesta ânsia de encontrar teu ser, é assim...
Arrebatam-me os desejos de meu coração
É meu sofrimento não ter-te junto a mim...

Há um segredo, há gozos pueris imaculados...
Que na claridade, e na tua doce florescência
Terminam em sonhos, de amores sonhados...

terça-feira, maio 03, 2011

Tua Luz


Tens teu nome escrito numa estrela
Estampado, num adorno cintilante.
Reluzindo, lá no alto eu posso vê-la,
Refulgente, esplendorosa, radiante!

Imagino que teu nome é poderoso,
E dedicado a um espírito ardente,
Na pronúncia, sacrossanto amoroso
Encarnado, majestoso, florescente!

Teu rosto verte o amor agraciado
De um mundo iluminado inaudito
E das luzes imortais maravilhosas...

Vertem luzes, de teu ser apaixonado
Do amor, dedicado e compassivo
Das essências, divinais de tuas rosas...




segunda-feira, maio 02, 2011

Prece Amarga

Esta tarde fria, de um céu amortalhado
Ao mesmo tempo tristonha e merencória...
Vaga silente um réquiem, em memória
De um amor, em minh’alma já findado...

Um hino angélico ao largo, escuto...
Soluços de uma alma adormecida
Quando os sinos badalam em vida,
A envolver-me num profundo luto...

À tarde que como vela se apaga
Finda triste e cruelmente amarga,
Com rezas no céu de um espectro raro...

E eu que soluço nesta melancolia
Parece solidão que do céu irradia,
De um último adeus, e sepulcral amparo...