sábado, julho 30, 2011

Cálice

Vou queimar todas as cartas de amor
Onde sou descrito como anjo mais lindo
Estou chorando, e alquebrado na dor
Coração sufocado, um amor sucumbindo

Adeus às cartas saudosas, perfumadas
Que de repente acabaram em triste ilusão
Nascidas do afeto, de histórias de fadas
Loucuras vertidas, de uma doce paixão

Adeus poesias, sonhos, amor, felicidade
Órfãos da inspiração, restando a saudade
Sem graça, sem encantamento, sem carinho

Pois as cartas que trocamos na ansiedade
Dos sonhos de amor dessa trágica realidade
É um brinde amargoso, neste cálice de vinho


segunda-feira, julho 25, 2011

Espírito Imortal


Tem o Amor, uma luz que nos fecunda
Com um fascínio, ardente, apaixonado
Na doce sensação, virtuoso, arrebatado
De uma graça que transborda, e inunda

Tem esse amor no céu da tranqüilidade
Todos os brilhos, os gládios, os marasmos
Que nascem dos desejos, dormentes vagos
Na doçura imortal e de toda serenidade

De onde vem tal força radiante, justa
Tão divina, alvissareira, louca e santa
Amiga carinhosa, companheira augusta?

Tem nosso coração, um doce sentimento,
E sobre essa graça, que em nós habita
Um Espírito Imortal, de Amor e acolhimento!


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sexta-feira, julho 22, 2011

A uma Flor Morta


Ó que dor em minh’alma, quanta ternura...
Carrego neste amor, lutuoso, desconsolado
Diante de tua face, mórbida d’amargura
Carrego uma tristeza, soturno, dilacerado

Deitarão a noite seus véus de melancolia
E aconchegar-te-á nos ornatos da sepultura
Serão vagos momentos, que a noite acaricia
Teu corpo amortalhado e rosas da desventura

Vão nestes prantos, sentimentos, puros, eleitos
Que hão de te ungir com essências de uma flor
Junto com anjos, sublimes, augustos, perfeitos!

Por entre os enlevos que as rosas hão de deixar
Evolvem-me lembranças singelas de tanta dor
Num rosto adormecido de um anjo a descansar.


quinta-feira, julho 21, 2011

Visões

“28 Como a aparência do arco-íris que aparece nas nuvens no dia de chuva, assim era a aparência do brilho em volta. Ele tinha a aparência da Gloria do Senhor.
Quando vi isto cai com o rosto em terra, e ouvi a voz de alguém falando.
(Ezequiel cap. 1 versículo 28)”
Velho Testamento
***

Era semelhante ao metal mais puro
Com um zumbido, sutil e refinado...
Era um som, d’outro lado no escuro
E um fulgor em seu corpo iluminado...

Tão lindo e cintilante majestoso e sideral
Era um esplendor que à noite iluminava...
Em som harmonioso, uma auréola divinal
Um brilho ao redor de seu corpo irradiava...

Luzes de suaves freqüências ondeavam,
De volúpia estranha e tantas rodopiavam;
E em silfos leves com um angélico sonido!

Pairava silenciosamente num espaço aéreo!
Um peregrino emudecido com tanto mistério,
Foi para outro mundo, obediente, conduzido!


*Imagem do Filme Cocoon



sexta-feira, julho 15, 2011

Promessas

Ainda sinto um amor febril intenso
Uma ternura, um carinho, um afeto
Sentimentos de amor, puro, secreto
Um carinho raro, singelo e imenso

Sinto tu’alma radiante e compassiva
Entre as flores com anjos da tristeza
És flor graciosa e de languida beleza
Que minha dor e uma lágrima cativa

Tens meu amor ardente, apaixonado
Um coração, sofredor e amargurado
Ligado em ti, por bíblicas promessas

Se estás na Luz, na doce paz sonhada
E eu, nos enlevos luzidios d’alvorada
Que angustias, que lágrimas são essas?

domingo, julho 10, 2011

O Conspirador

Um espírito nefando, hostil, exacerbado
Como uma hidra de tentáculos infernais
Avalia em números um corpo dilacerado,
Em sofrimentos, em dores e em tristes ais

Nos corredores vítreos, frios, aristocráticos,
E por detrás das mesas, calcula e mercadeja!
Engendra os números sinistros, burocráticos,
Blefa as conspirações, injúrias, e esbraveja!

Mas esse espírito enganador, voraz e bestial,
Rasteja com dificuldade nas vítreas catedrais
Falando com voz suave, em cifras do capital!

Como é de origem tenebrosa e própria dos vampirismos,
Os gládios fraternos do amor, feitos anjo com um escudo
Lançarão esse verme pegajoso, de volta para os abismos!


Minha fonte de inspiração foi o texto "Olá Moody's" da Olinda do Xaile de Seda

segunda-feira, julho 04, 2011

Meu Filho


 Neste afeto de um amor profundo
Há em mim um sentimento embalado
É meu filho que ao chegar ao mundo
Dorme um sono lindo, feliz e abençoado

Meu filho que no berço dorme em carinhos
No aconchego de sua mãe feliz e agraciada
Há de experimentar, os amores e os espinhos
Do algoz, da vitória, do amigo ou da cilada

Nos braços amorosos de sua mãe enternecida
Sinto uma paz consoladora, neste misto de agonia
Com amor que tanto verto, com amor que lhe nutria

Dormes, no entanto, ó meu filho abençoado!
Não quero nem um segundo desatar em prantos!
Certamente reina um céu, te cobrindo de encantos...

***

Escrevi este poema ao ver o filho órfão, de um amigo, brincando sozinho na sala.
Enquanto observava o menino, senti a graça do aconchego de um lar, de uma mãe cuidadosa (que ali já não estava mais), e do pai que amorosamente o tomava nos braços e o embalava no berço.




sábado, julho 02, 2011

Árvore da Vida

Antes de qualquer criação,
E antes da forma acabada;
O Todo na imensidão,
Sem forma e sublimação,
Alma Luzente emanada...

No mundo etéreo, invisível,
Mas pleno da Graça inaudita,
Não tem formato visível;
Mas fala num som inaudível,
Da Graça Suprema e Bendita.

Seu nome transcende à Luz,
Na forma serena mais pura,
Num ponto celeste reluz;
Abrange recria e produz,
Cintila na forma Augusta!

Aquele que É, que Foi e Será,
Na Graça que a vida apraz,
Mistério que ainda será,
Do fogo que não cessará;
Do amor que nutre e que faz.

Fonte que serve a um rio,
Rio que brota e não erra,
Por mares, por tempos a fio;
Que o olho humano não viu,
Por sete canais que descerra...

Abunda em mares profundos,
Nos vales, na grota, na serra,
Tornando assim em dez mundos;
Divinos, plenos, fecundos,
Formosos, lindos, na terra!

Não podem romper e não tornam,
Das águas sagradas infindas,
Pois elas com força transbordam;
No ponto de Luz que retornam,
Às fontes mais puras e lindas!

As formas sublimes ao léu,
Não podem jamais recuar,
Dos dez atributos do céu;
Dos mundos ocultos num véu,
Do Amor que não pode acabar!

(Poesia Inspirada no Zohar, Livro do Esplendor)
A imagem do Homem Perfeito, Adam Kadman, (abaixo do título da poesia) é representado pela Árvore da Vida, que possui uma coluna central e duas outras, uma à sua direita e outra à sua esquerda com suas Séfiras interligadas. Existe uma estreita relação entre as Séfiras da coluna central e as duas colunas opostas, às quais são regidas por três princípios Divinos essenciais: A Vontade Primordial, a Misericórdia (direita) e a Justiça ou o Rigor (esquerda), de forma que a Vontade mantém o equilíbrio entre as atividades destas duas colunas opostas. Enquanto a Misericórdia faz expandir o fluxo da emanação da Força Divina, a Justiça faz contrair, de forma que com a presença deste equilíbrio ocorre a organização dos 10 atributos (Séfiras) neste modelo específico.
Este protótipo chamado a manifestar-se passou a ser designado pelos estudiosos da Doutrina Divina pelo nome de Árvore da Vida, pois a sua compreensão conduz o homem de volta ao Éden perdido.