quinta-feira, setembro 29, 2011

Teatro e Circo

No palco, um ator representa um papel,
Das aventuras humanas, da lida diária...
Belo e perfeito, ele vai convencendo,
Imitando, debochando, satirizando a vida...

Emocionado, contrito, atento e calado,
Tento convencer-me, com afinco e vontade,
Interagindo com o público,
No glamour deste teatro!

-Também quero ser ator!
E se possível for, sob luzes nesse palco!
Mas venho ensaiando há tanto tempo,
Para assim participar, e me sentir no alto...

Quem sabe me tornar um ator reconhecido.
E no meio desse elenco, ser o centro do espetáculo!
-Realmente consegui, meu intento alcançar!
Tornei-me um ator, na arena do Gran Circo!

Atuando outro dia, como manda o script,
Multidões foram à rua, sem pagar e sem convite.
Agilizei meus passos, para a rua atravessar,
Mas sofri um grande tombo, 
E o nariz a fraturar!

Qual não foi minha surpresa, ao ouvir muitas risadas!
Do meu público na rua e do sangue derramado...
Só porque escorreguei, e fiquei estatelado.
Apenas não sabia, que o papel que eu fazia,
Não era de ator, mas um anônimo palhaço!

domingo, setembro 18, 2011

Devoção


Sinto que este amor que me apetece,
Como incenso e aromas de um altar;
Vem cingido com candura e enternece,
Com carinhos, a minh’alma embalar!

Mas sinto que esta alma desprendida,
Maravilha sacrossanta das quimeras;
Traz enlevos que adoçam minha vida,
Com amor de outras lindas primaveras!

Sinto tua graça e uma paz consoladora,
Nos ocasos do amor, e com as ternuras,
Entre as ânsias de uma prece acolhedora...

Pois às vezes em minh'alma aparece,
Sentimentos infinitos, radiantes,
Deste amor, que idolatro e enternece...


Crédito da Imagem: Helena Schwonke
http://pelotascultural.blogspot.com/2010/05/arte-entre-tumulos.html
Blog Pelotas Capital Cultural
De Francisco Antônio Vidal


quarta-feira, setembro 14, 2011

Bendito Fruto


Este líquido estranho
Que escorre nesta taça
Desta alma apaixonada
Que molha estes lábios
Que mata esta sede
Que alegra e extasia
E que sacia o coração...

É o néctar de uma flor
Concebida pelos deuses
Nas encostas de uma montanha
Talvez Baco, talvez Zeus
Quimeras de tanto Amor
Do doce fruto da vide
Tinto, Rosa ou Champanha

Pois quando na solidão
Nos goles que me sorvia
Embalando-me em sono
Em sonhos e alegrias
Era uma falsa ilusão
Na taça que me servias

domingo, setembro 11, 2011

Sobrevida


Olho as veias de um coração...
Contemplo a sinuosidade delas
Feito rios a procurar caminhos,
Visto dos altos céus...

Parecem os rios da vida
Quais traços marcando uma trajetória
Desembocando neste coração
Apaixonado e transbordante...

Esses rios e seus afluentes
Carregam histórias tristonhas...
E ainda carregam o lixo tóxico
Perigoso, contaminado
Mortífero, medonho
Que neles se infiltraram
E ameaçam calar um sonho...

Carregam em suas correntezas
Os tormentos
Que sangram num corpo ferido.

Até quando este corpo usufruirá
Em seu todo, e terá forças
Para absorver toda essas torrentes?

Só sei que este coração resiste
E de uma coisa ainda sei...

A vida não será para sempre.
Penso que nessa vida restante
O amor que devotei a ela
Será a comporta, que se abrirá,
Para um último encontro!



segunda-feira, setembro 05, 2011

Ilhado


Sozinho na praia estou a pensar
Escrevo na areia... (Espera em vão?)
Ouvindo distante o barulho do mar
Amada sublime do meu coração...

Sozinho na praia estou a pensar
Quem sabe um dia o amor reviver
Sublime amor, que espero voltar
Amada sublime, do meu bem querer

Ouço o som de gaivotas, o mar e o vento
Uma canção, tristonha lendária
De novo o amor e saudoso momento...

Ondas açoitam imponentes rochedos
Assédio incansável, diário e teimoso
Assim eu estou num teimoso tormento...