terça-feira, novembro 29, 2011

Muros

O muro de Berlim criou divisões,
Dividiu amores, destruiu liberdade...
Separou corpos, separou corações,
Dos sonhos, de alguém com saudade...

Vejo perseguições, vejo prantos e dores,
Que o muro da fronteira, separatista, vigiado;
Com câmeras, barreiras, alarmes, atiradores,
Faz gente fugir, com imigrante espancado...

No muro da fronteira, de grande extensão,
Há um faminto, perseguido, e ultrajado;
Noutro muro, há rezas e lamentação...

Hoje nesta muralha virtual, pacifista,
Que aqui nos separa, mas nos conecta;
Há um amor natural que na alma habita...

http://osestadosdealma.blogspot.com/2010/06/dos-amigos-dos-paises.html#comments
http://meublogjoaninha.blogspot.com/
MURO DE BERLIM: 20 ANOS DA QUEDA

- Você ainda não está autorizada a viajar.
- E por qual razão?
- A razão desconheço.
- Não tenho nenhuma causa legal pendente, não estou sendo processada perante um tribunal.
- No momento, você não pode viajar.”
- Você sabe que esta é uma violação de meus direitos constitucionais. É como o direito à educação e à comida: o direito de poder se mover.
- No momento, você não pode viajar.
- Esta instituição que você representa, um dia acabará. Meus netos não viverão nessas condições. Este país é um grande cárcere, com uma fronteira ideológica, uma fronteira partidária. Os cidadãos aqui são julgados por cores políticas. Mas isso um dia acabará. Porque esta nação nada tem que ver com uma ideologia, nem com um partido. Esta nação existiu e existirá antes e depois de vocês.”

Esse diálogo, cuja íntegra está no blog Generación Y (http://www.desdecuba.com/generaciony), foi travado em 12 de outubro entre a blogueira cubana Yoani Sánchez e uma funcionária do Escritório de Imigração de Havana.

domingo, novembro 27, 2011

Flor dos Deuses

Pétalas viçosas, cor intensa de veludos,
Dum vermelho sensual de doces beijos
Como os lábios mais bonitos e carnudos
Despertam no olhar, a cobiça e os desejos

Formosura sensual, delicada e feminina,
Esta flor, de um vermelho tão intenso;
É a perfeição, que encanta e que alucina,
É essência do amor, do perfume do incenso...

É uma flor misteriosa, sensual e desejada...
Flor dos deuses, dos amores, das estrelas,
Concebida em um ato, de paixão e de afeto!

Gozo escondido num jardim luxuriante
Entre Zeus e Afrodite, na orgia da paixão
De sagrada emoção, e romântico secreto!

segunda-feira, novembro 21, 2011

Inocência



O sol, as nuvens, e o céu
E sob a sombra do jatobá,
E numa copa frondosa
A vida desponta ao léu...

N’outro lado há festa!
As borboletas e as flores,
Os pássaros gorjeiam
Na mais sublime seresta...

Em nova iluminação
Desponta um novo dia
E a Natureza renasce
Na mais pura emoção!

Sob raios de uma nova era
Acordando para o mundo
Desperta a Mãe Natureza,
Com flores e linda seresta...

Um novo ciclo trazendo
Com luzes vindas do céu!
Nas doces emanações
Abelhas fabricam o mel!

quarta-feira, novembro 16, 2011

A Máquina do Tempo


I

Vejo crianças, homens, senhoras e as damas...
Fico por um instante contemplando, admirado.
Imagino ali, os casais, os filhos, e as amas,
Uma pharmacia, uma pracinha, um namorado...

É a Rua Direita, a Praça da Sé, e soldados,
As esculturas, igrejas, casarões, carruagem.
Vejo-me ali, naqueles tempos passados,
Numa regressão momentânea em viagem.

E o tempo conduz-me mais, mais e mais...
Vejo um trabalhador elegante empostado,
Naquelles dias, preto e branco da fotografia!

E o tempo conduz-me mais para trás...
Vejo Adão, vejo a terra, eu ao pó retornado,
No absconso mistério que Deus concebia!

II

Estou aqui, novamente como que perdido...
À espera de um trem, nesta estação, divago.
Olho à minha volta, estou também aturdido
Ontem nasci, o tempo passou, de repente vago...

Que passado é esse, misterioso, e intangível,
Abstrato, célere, irreal, e assim temporário?
Só sei que agora estou refém, agora passível,
Estou impotente, interajo, porém solitário...

Tento querer... Quero esse tempo paralisar!
Quero esse momento tão arredio segurar...
Não quero perder nem um último segundo!

-Lá vem o trem... Agora, preciso embarcar!
Nesse ato permissivo do tempo, ouso continuar...
Dou um passo, estou em mim, volto ao mundo!


Crédito das imagens: 

domingo, novembro 13, 2011

A Oferenda

À meia-noite quando o galo canta
A Graça vem, sopra com a mão
O Poderoso, Justo te alcança
Na plenitude do teu coração

Alcança o aflito, com sua virtude
Que hoje sofre com sua aflição
Os anjos todos, nessa atitude
São portadores da divina ação

Os santos anjos zelam guardiões,
Nos quatro cantos que nos céus habitam;
Levando a Deus as imprecações.

A oração, que do justo vai fluindo,
Um anjo beija e se enternece;
É uma oferenda, para Deus subindo.


Inspirado no Zohar, o Livro do Esplendor

O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar aos segredos da kabbalah. Seus principais focos são a teosofia - a interação das sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos buscadores das verdades eternas neste mundo bem como no mundo não material.


*Imagens e comentário são da amiga Lupy do blog Ponte Oculta
http://ponteoculta.blogspot.com/

sábado, novembro 05, 2011

Cântico de Melancolia

Ao longe ecoa um fado, parece um funeral.
Ecoa por entre a noite, e vertem-se delírios.
São doces inspirações, dolentes e por sinal,
Parecem orações, ou dores de teus martírios.

Nesta melancolia, do fado que te inspira,
E tanto amor vertido, no céu alto flameja.
Parece uma guitarra, ou som de uma lira,
É tudo que tu, ó rosa, no coração almeja!

Quedo-me pesaroso, ante tanta melancolia,
Que a noite merencória, no peito, acaricia;
Adentrando n’alma, plangente, amargurada...

E tu, minha rosa, que esta lágrima alcança,
Entoa com tua voz, dolente, suave e mansa;
Parece a voz de um anjo, de alma dilacerada...