terça-feira, dezembro 27, 2011

Transição d’Alma


Quando o homem desencarnar dessa matéria, 
E noutra, puder a Deus, sua face contemplar 
Será numa transição, e o fim de toda miséria, 
Numa cósmica substância, sua alma resgatar. 

 Pois numa constelação, num halo fulgurante, 
Estará quem sabe Deus, pelo mundo passear 
Talvez em um planeta, ou num astro radiante, 
Quem sabe duma luz, toda alma esquadrinhar. 

 Mas nessa minha visão, fruto de ignorância, 
Penso que o homem, e desde sua infância, 
Será em transição, quem sabe um advento! 

 Creio que essa transição, da substância evolui, 
E mostra para a alma, a rudeza que ontem fui, 
Como o abrir da porta, derradeiro movimento!



quinta-feira, dezembro 22, 2011

Presentes de Maria


Nas terras hostis, dos profetas e da Palestina
Depois de tanto tempo para as almas somente
Uma jovem bem aventurada, e ainda menina
Alma nobre, meiga, e em Deus sincera crente.

Mas para quem tem nesta vida compreendido
Quão grande é esta rosa de meiga sublimidade
Saberá que do nascimento de seu Filho ungido
A alma se alegra e o amor de Deus lhe invade.

O Cristo nasceu! E para este mundo nos trazia
As bem-aventuranças, com os hinos de alegria
Como os presentes, virtuosos dos seus braços

E, no entanto, será Ele neste mundo celebrado,
Mas como o exemplo de um rei desamparado
Que vence a morte, desde os primeiros passos


quinta-feira, dezembro 15, 2011

Na Calçada da Infâmia

 

As migalhas que caíram no esquecimento,
Que das ruas foram sobra e tiradas do latão;
Foram restos, que depois de certo tempo,
Fez-se um rumo, e destino noutra mão...

Mas um louco, talvez gênio, peregrino e agora,
Segue a vida, toda via ao relento e contramão;
A sujeira descartada, de outro mundo para fora,
Para ele é um sustento, é talvez um ganha-pão!

Na calçada da infâmia, é um astro moribundo,
Pois vazio de amor, de juízo e compaixão;
Não restou alternativa em viver tal vagabundo...

Abandonado feito lixo, é um estorvo e dejeto!
É um Lázaro errante, pois na vil comparação,
É apenas espantalho, e ninguém lhe chega perto...


Crédito da Imagem:



domingo, dezembro 11, 2011

Fruto Proibido


Tinha a alma faminta, um olhar sedento
Entre insanos desejos que nela tangiam
Na boca antropófaga os dentes rangiam
Diante do fruto, carnudo, tão suculento

Ah... Esse fruto proibido, rubro aveludado
Chama que cintila no fogo dessas paixões
São todos os desejos secretos dos corações
Das insinuações, das volúpias e do pecado

No entanto, o fruto que de tanta beleza
Nascido na terra, pela mão da natureza
Tornou-se um fado, n‘alma tantalizando

Esse fruto sonhado, virgem, contemplativo
Que em amor e fome, num êxtase lascivo
Tolos corações, febris, morrem sonhando...


segunda-feira, dezembro 05, 2011

A Fazenda



Nos galpões frios, das noutes infernais
Tão lutulentos, pútridos, bem vigiados
Abrigo d’almas, silente, de medos tais
Abrigam corpos, febris, enclausurados

Desfilam tristemente almas pesarosas
Corpos marcados, feios, esquálidos
De vestes rotas, sujas, e malcheirosas
Rostos tristes, cadavéricos e pálidos

E à noute quando rezam enclausurados
No sigilo das rezas, convulsivas, misteriosas
Nem um anjo, nem os bem-aventurados!

É nesta solidão das noutes infinitas, austeras
Onde as almas febris, exaustas, dilaceradas
Irão sair do inferno, para a Luz d’outras Esferas!


Escrevi esse poema após assistir ao filme O Menino de Pijama Listrado.
O Menino de Pijama Listrado narra a história da amizade entre Bruno, filho de um oficial nazista, diretor de um campo de concentração, e Schmuel, um menino judeu e um dos prisioneiros neste campo.
Os dois têm nove anos e até antes das atrocidades da guerra, levavam vidas muito parecidas, o que fica claro pela sutileza nos diálogos dos dois, e na própria realidade do campo e da casa do menino Bruno.
O campo de concentração parece aos olhos de Bruno, uma fazenda, visto da janela de seu quarto, onde vivem estranhos fazendeiros, que usam pijamas listrados o tempo todo. A rigidez, a dureza e a rispidez dos soldados lhe são reveladas aos poucos, que como um explorador, vai entendendo a natureza do trabalho de seu pai.
***
Um dado interessante, e utilizado neste filme, foram as películas produzidas pela propaganda nazista, onde nelas, são retratadas famílias judias vivendo nos campos de concentração, dando a impressão de estarem felizes e adaptadas em sua segregação.
Mas o intuito na verdade, era o de ludibriar a opinião pública e convencê-la de que uma "higienização  racial" seria benéfica para a sociedade da época.
E que por medo, intimidação ou preconceito, ou por falta de vontade de pensar por conta própria, acabavam por abraçar o nazismo na certeza de que estavam fazendo o melhor, para a implantação do III Reich.

sábado, dezembro 03, 2011

Última Quimera



Nas noutes frias das dolorosas ilusões,
E nestes sonhos de mórbidos letargos;
Verto os poemas nascidos das afeições,
Verto em prantos, tristonhos, amargos.

E nestes sonhos de tristezas tumulares,
Dentre o chorar plangente dos violinos;
Escuto vozes soturnas d’outros lugares,
Como a entoar ao longe os doces hinos.

Neste momento, sinto a tua fragrância,
Do que foi nosso amor, na exuberância,
Essência da paixão, fruto da primavera.

E para relembrar teus últimos encantos,
As rosas murchas, os lírios e amarantos,
Serão recordações nossa última quimera.