sábado, janeiro 29, 2011

Ansiosa Inspiração

As estrelas,
A lua,
O sol,
E as rosas,
Inspiram o dia!
Tudo há seu tempo...

Um nu artístico prepara-se!
As tintas, os pincéis,
a tela, e umas mãos,
Aguardam,
Ansiosa Mente...

Enquanto isso...

As estrelas
A lua
O sol,
E as rosas,
Aguardam Impacientes,
Um tom...
Um tema...
Uns versos!

De um poema,
Sem rumo!
Displicente!
Indisciplinado!
Indomável!
Disperso!
De um poeta sonolento!


NOITE DO MEU BEM
100 x 100cm - Acrílica sobre tela - 2010
Pintura inspirada na música “A noite do meu bem”, de Dolores Duran.

Inocente Graça


Encantos mais singelos da doçura
De beleza de tua graça infantil
Reluzindo com a graça e ternura
Colorindo de amor um mundo vil

É a Luz que do Alto vem cingindo
É a graça que emana de uma glória
São as luzes pelo céu que vão surgindo
Pela terra, pela paz, e pela história

E que venha a doce paz da Inocente
Para o mundo, para povos e demais
Que abrande até mesmo o intolerante
Quebrantando os corações de muito mais

Que os anjos amorosos deslumbrantes
Cantem glória de louvor e alegria
E as almas convulsivas, torturantes
Vivam sempre em singela harmonia

Tudo salva, na essência do Amor
Tudo abranda tudo cura e floresce
Com a graça, no alívio para a dor
É desejo que tornei em uma Prece...

Filha

Minha alma fica presa e se debate ansiosa!
Faço uma prece! Clamo aos Céus, e medito.
No aguardo desta força evocada, poderosa,
Minha filha adormece, faço votos e reflito.

Minha alma se debate, num silencio enorme,
Nos soluços do meu coração ansioso, intenso.
Aguardo que este anjo, de seu sono acorde,
Para os beijos, tantos beijos, de amor imenso.

Dar-lhe-ei os carinhos vastos e mais bênçãos,
Com o mais profundo amor sereno e doce...
Que nos abraços, e no calor de minhas mãos,
Com a graça do teu riso, que tu’alma trouxe...

Ó quanta ternura, que amor, que sentimento!
Sob a graça piedosa, no silêncio dos carinhos,
Dorme a minha linda, no amor que alimento;
No calor do aconchego amoroso dos meus ninhos!


Atendendo ao convite do meu querido amigo e Poeta, Antonio, eu que não sou poetisa, me atrevo a escrever o que trago em meu coração, em palavras simples, mas com emoção, à doce Flávia e sua mãe, com carinho...



Em teu sono profundo,
dorme, cresce e aprende...
sente a mãe que acalenta,
ama com ternura e compreende...
que na vida, nada é em vão,
tudo é Amor
em ação...
Seja na alegria ou na dor,
que o Amor seja sempre
o maior motivo de união...
e que toda lição, seja
momento de evolução...
Segue acreditando em Deus,
tenha fé, esperança
e abrace a missão
de seguir vivendo,
aprendendo e ensinando,
abrindo o coração...
Pois, dia há de chegar
e o por que de tudo entenderão,
viverão momentos de paz, alegria
e libertação...


Blog Flávia vivendo em coma
http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com/

Medos

(Certa tarde, ao acompanhar meu filho ao funeral de um senhor idoso)

Naquela tarde na necrópole
Sozinho, sem mais ninguém...
A procura das pessoas
Num desencontro total!

Perdi a solenidade e o cortejo
Perdi-me nas quadras e lápides
Somente o silêncio permeia
As flores e sepulcros também!

Caminho a esmo...
Perco-me, no trajeto.
Onde estavam todos?
Senti certo medo!

Bobagem eu sei!
Medo de quem já se foi?
Medo faz é dos viventes!
Senti um soturno silêncio...

Os espíritos que se foram,
Sei o que diz o Santo Livro!
Mas senti um calafrio,
Post Mortem talvez...

Voltei de onde parti
Gelado, tremulo tácito...
Recompus-me ao ver alguém
Voltei de novo em mim...

Algumas canções ouvira
Decerto melodias breves
Anos oitenta creio,
Tornando-se hinos celestes...
                                                   

Anfitriã Eterna

(Após o falecimento de Dona Maria Erdei, no dia 10 de Setembro de 2008, as 16:00 h)




À espreita a morte conosco vaga,
Desceremos junto ao sombrio leito...
Até findar-se a aventura amarga,
Nos infortúnios, e por ela eleito...

Para enfeitar, as flores serão estampa
Que o pranto verte no amor a alguém...
Vestido em terra que agora acampa,
Com uma prece, e findando Amém...

Óh manto escuro do além profundo!
Abrigo taciturno, de tão sublime paz,
De sonhos findos, sem rumo, sem norte...

Invólucro humano despe do mundo!
Eis que agora, e pra sempre jaz,
Em baixar ao leito a soturna morte...

Petrificado Coração

Ecos sufocados, soturnos da solidão,
Há em teu viver, saudade, melancolia...
Pulsa dentro do peito na força de uma paixão,
E sofre dilacerado com ânsia de agonia...

Triste palpitação na alma sutil ecoa
Lamenta com essa dor, amarga da desventura
Sons que em tu’alma, pranteia e atordoa
Vagando silenciosa perpétua da sepultura...

Ainda tenho por ti, singelo amor imenso,
Tenho por ti um amor, um amor que acredito;
Amor que sobe ao céu suave como um incenso

Dá-me dos teus lírios, teus lírios e o teu fruto
Vem adocicar, minh’alma com o amor latente,
Do amor e dos desejos, por quem tanto eu luto!