domingo, janeiro 30, 2011

Dicionário e a Dor

No dicionário,
Busco palavras
Para dizer
Escrever
Pensar
Fantasiar
O verbo amar!
Mas amar,
Que diz lá?
-Ter amor;
-Querer bem;
-Desejar.

Enfim,
O amor se foi;
E...
O dicionário
acompanha
um sofrimento...

Dando Vida

O poeta diz, escreve e fala
dando vida a tudo
dando vida a nada
feito uns gênios
místicos, iluminados.
Filósofos, obcecados
dão vida a tudo
dão vida às palavras.
Tornando real seu mundo
sentimentos perpetuados.
Dando vida a sonhos
dando vida a alguém
que hoje o tempo encerra
Mas a memória resgata...


Loucura de uma Mãe

Esta poesia seria para apresentá-la na data passada dos Dia das Mães. Não tive coragem.
Ela foi escrita de um relato verídico, contado por uma pessoa, que em sua adolescência presenciou certo acontecimento.
Isso foi há muito tempo, na cidade onde nasceu. Segundo ela, a criança já nos seus últimos suspiros, chorou de uma forma estranha nos braços da jovem mãe...
Foi quando fechou seus olhos para nunca mais...


De uma história triste e comovente,
Com o mais profundo amor imenso
De jovem mãe, amorosa, persistente,
Um enredo macabro, febril e intenso...

A jovem mãe, em sua sagrada missão,
Perdera o bebê, o primeiro, o infante;
Pranteia em loucura, soluço e paixão,
Expondo um fervor de amor delirante...

Imagino a mãe suplicando em prantos
Diante de Deus, aflita e inquietante...
-Onde está a graça de lindos encantos,
Que a morte roubou do meu lindo infante?

Loucura, raiva, ais, e odiosa tragédia!
A mãe agitava o corpo do filho em vão...
Mortalha maldita, e lúgubre comédia!
Clamava em dor, numa triste canção...

E em loucura extrema, toma o cadáver do seu anjo!
Embala feliz no leito de sua cama o pequeno ente...
Ali adormece com ele tranqüila serena e sem pranto,
Em paz para sempre, o sono eterno do seu inocente...

Escrevendo



No transcorrer da escrita,
Onde fluem meus enredos,
Das glórias, inglórias,
dúvidas, medo...
E na ilusão da vida,
Vivo um sofrimento.
No restante do espaço em branco,
São lágrimas molhando...