terça-feira, fevereiro 01, 2011

A Janela Surrealista



Lá no litoral, um quadro surrealista...
Na parede da casa, na sala de estar.
Fascinado aprecio a obra do artista,
A obra me eleva, e fico a pensar...

                 No mesmo instante de frente à janela,
                 Na sala de estar observo além...
                 Os raios do sol se pondo atrás dela,
                 Em rara beleza e brilho também!

Fascinante e grande, o sol amarelo,
Parece a gema de cor bem dourada.
Saindo de um ovo o sol tão singelo,
Se pondo ao mar numa tela pintada...

                 -É um ovo gigante, é um ovo ao mar!
                 Das mãos do artista, pintado na tela,
                 Parece um sonho na sala de estar,
                 Que a tarde observo defronte à janela!

O quadro na sala é todo difuso,
É poesia de um mundo disforme...
Um mundo irreal e de todo confuso,
Tudo normal, e nem tudo conforme...

                 De frente à janela eu volto a olhar.
                 O sol majestoso... O sol muito lindo!
                 Brilhando reflete na linha do mar,
                 Além do horizonte lá vai reluzindo...

Estou feliz ao sonhar plenamente...
Pois fiz da janela um quadro a pintar!
Pintando na mente um sol diferente,
Um sol reluzente em minh’alma brilhar...


Vladimir Kush, discípulo de Salvador Dalí
Vladimir Kush é um pintor russo, nascido em 1965 em Moscou, e se identificou com o movimento do realismo metafórico. Ele experimentou vários estilos do impressionismo depois de ver a obra completa de Salvador Dalí nos anos 80. Segundo ele mesmo diz, as pinturas realistas mostram os limites de cada artista e ensinam ao visionário que cada um tem em si as metáforas das imagens impossíveis quando exploram as camadas do sentimento.
O quadro acima é chamado de "Sunrise by the Ocean", e me inspirou a escrever o poema.

Vinho de Jesus

Num dia festivo de um casamento,
Cantores, flautas, e gente a dançar.
Música, tambores, e alegre momento,
Que mais poderia alguém desejar?

Banquete, barulho, e burburinho!
É um casamento de boda em Caná.
Jesus, sua mãe para lá convidados,
Nos potes, porém, o vinho não está.

O Mestre, no entanto nem reclamou,
Pois nada do vinho sequer lhe deixaram,
O Mestre discreto, calado ficou
Nem mesmo as taças com vinho restaram

Maria avisou ao Mestre Jesus
Jesus aos servos ordena na hora
-Enchei com água todos os potes
A água nos potes em vinho transforma!

Provaram do vinho, os homens na sala.
Disseram a todos: - Mas que saboroso!
Alguém tão surpreso a todos declara:
-Meu Deus, é um vinho suave e gostoso!

O vinho da água que o Mestre tornou,
Do néctar do fruto da nobre videira,
Levou-me um instante na vide pensar,
Caná e o milagre singelo das bodas:

Com esse milagre Jesus, e o vinho
Ficou a mensagem à todos então.
Bebida das mesas dos ricos e pobres
Será nosso vinho embebido no pão.

O sangue do vinho tinto na taça
O vinho que alegra o meu coração
O aroma do vinho branco não passa
Nos doces momentos de Eterna Paixão.

Minha Morada

Tu és minha doce e sublime morada...
Que minha vida amarga, sem doçura
Anseia-te, como a flor mais desejada
Escondida, em lampejos de ternura

Tu, que dorme na sublime luz bondosa
Onde a paz, do amor que te enaltece
Sãos encantos e perfume de uma rosa
Que na alma, ansiosa, lhe enternece

Do amor, entre amores florescidos
De soturnos, e silente aconchego
Vai ao seio, de uma paz misteriosa...

Minha vida, feito sombra passageira
Que o tempo, arrebata e atormenta
Torna em cinzas o amor dessa caveira

Perfil de Mulher

De perfil de mulheres de Atenas,
Que tais musas legaram da doçura,
Pois tudo que for dito, será apenas
De graças, de beleza, da escultura

Essa beleza de altiva heroicidade
Da boca, dos frutos, e dos seios
Dos encantos de antiga majestade
Odisséia mater e corpos de enleio

Na primícia de floral apaixonado
Da aurora, do amor, e do encanto
No aroma onde o amor extasiado
Na beleza, do sublime amaranto

Musas que no mundo vem sorrindo
Da celeste criação imaculada
Em recônditos segredos se abrindo
São visões, de doçura, apaixonada

Ilhado


Sozinho na praia estou a pensar
Escrevo na areia... (Espera em vão?)
Ouvindo distante o barulho do mar
Amada sublime do meu coração...

Sozinho na praia estou a pensar
Quem sabe um dia o amor reviver
Sublime amor, que espero voltar
Amada sublime, do meu bem querer

Ouço o som de gaivotas, o mar e o vento
Uma canção, tristonha lendária
De novo o amor e saudoso momento...

Ondas açoitam imponentes rochedos
Assédio incansável, diário e teimoso
Assim eu estou num teimoso tormento...