domingo, março 13, 2011

Tormentas

O temporal nos carrega
Através das ruas molhadas
Onde os transeuntes cabisbaixos
Entornados em seus vultos...
Tateando em seus silêncios
E onde lama e lamento se misturam...

São enredos de uma peça
Sem graça, sem brilho, sem luz
Onde alegorias na rua morta
São apenas águas das chuvas,
Das fantasias de si mesmo...
Apenas restos mortais de um poema
Desfeito nas águas turvas...

Não sei se isso é nostalgia...
Não sei se é esse poema,
Soturno e silencioso,
Que ora floresce, na alma fugidia

E tudo acaba no monótono insano
Algo de arrebatador surgindo
Frieza, solidão do tédio humano
Quando de esguelha,
A morte surge rindo...

Mas o poeta que tudo canta
Do esplendor às dores, ais
Colhe por entre as águas
Os prantos nos temporais...

Meus sentimentos ao povo japonês.
Meus sentimentos a todos que estão sofrendo, em virtude das tormentas que ora atinge várias regiões no Brasil e no mundo.