sábado, junho 18, 2011

Saudosa Aspiração


No cerne profundo de minhas memórias
Carrego uma saudade e tantas melancolias
Ela ressurge das lutas, dos sonhos e glórias
De noites tantas, de tantas quanto os dias...

É ela quem me consome e anestesia!
E com sentimentos febris e amordaçados
Em minh’alma, revolve, enfada, alivia
Nas ilusões dos meus sonhos disfarçados...

Em minh’alma habita um alguém
Olhando num espelho com amor e carinho
Um rosto, uma imagem, ninguém
Que o tempo legou como a flor e o espinho...

Anatomia das recordações e das labutas
Que subtrai o cancro latente d’amargura,
Dolorosa via, mãos dolorosas, impolutas
O tempo arrebata, consome e enclausura...

Faço da saudade meu precioso relicário
Florescendo dos sonhos que ainda resiste,
Quer nos prantos, nos soluços, no velário
Nos acordes de uma nota suave bem triste...

Se o que vejo é de um divinal encanto
De uma beleza, e de sublime nostalgia
Suplico a Deus, sem medo, sem pranto
Por uma beleza, como o sol de outro dia...



*Imagens Google: Pink Floyd, Pulse