sexta-feira, julho 22, 2011

A uma Flor Morta


Ó que dor em minh’alma, quanta ternura...
Carrego neste amor, lutuoso, desconsolado
Diante de tua face, mórbida d’amargura
Carrego uma tristeza, soturno, dilacerado

Deitarão a noite seus véus de melancolia
E aconchegar-te-á nos ornatos da sepultura
Serão vagos momentos, que a noite acaricia
Teu corpo amortalhado e rosas da desventura

Vão nestes prantos, sentimentos, puros, eleitos
Que hão de te ungir com essências de uma flor
Junto com anjos, sublimes, augustos, perfeitos!

Por entre os enlevos que as rosas hão de deixar
Evolvem-me lembranças singelas de tanta dor
Num rosto adormecido de um anjo a descansar.