segunda-feira, agosto 29, 2011

Apocalipse


Quem somos nós, neste tenebroso mar
A soluçar e a chorar, pela vida e por amor?
Centelhas, miríades de almas a fervilhar
Nutrindo com mais vidas nosso eu interior...

Almas tranqüilas, tumultuosas e várias
No murmurar uníssono de ecos perdidos
Vertendo lágrimas ansiosas hereditárias
Fazendo da terra, sepulcro de tantos gemidos!

O que faz essas almas, marcadas pelas ânsias
Cantar esta vida, na velhice, ou nas infâncias
Nas letras de um poema, nas trevas de um eclipse?

Porventura essas almas todas, e todas as almas eleitas
Hão de fecundar noutras plagas, sublimes perfeitas
Com vestes ensangüentadas, das páginas do Apocalipse?


*Imagem: Gustave Dore - Rosa Branca