terça-feira, outubro 11, 2011

As Gárgulas



As gárgulas estão presentes, lá em cima
Observando, vigiando, não se importando
O tempo que for preciso, acima do altar!
Pois são tenebrosas, e diante dos santos
Estão imóveis, esperando o sino tocar...

Catedral gótica, centenária e majestosa
O que de mais belo há em toda Europa
Onde uma velha porta, antiga e formosa
Fechada com os ferrolhos e os bronzes
Esconde mitos, de uma vida pura e casta...

As rosáceas e ogivais refletem em matizes,
As luzes coloridas, reflexos de uma vida;
Segredos de séculos, dentro da grande nave
Construída com pedras, obras de um artista,
A bela catedral, sombria, sagrada e mística!

Onde na escuridão de seus sacros recintos
As luzes coloridas, os reflexos dessa vida
Atravessam os vitrais, guiando os benditos
Iluminando almas de um ar envelhecido,
Resquício de outrora, ritual do Santo Ofício

Celebrações, procissões e santificações
Ecoando nas penumbras da história...
In Memoriam, são fantasmas guardiões
Nos cantos e nas colunas deslumbrantes
Entoando cânticos, solenes de sua glória!

Tesouros ocultos, guardados a sete chaves,
Número da perfeição, atributo de Deus Pai
Dos mártires, de Cristo e dos Santos Anjos
Perfeição das perfeições atravessa o tempo
Silenciosa, altiva; sacrossanta e reverente.

A bela catedral, a guardiã infalível da fé,
Dos ritos, dos mistérios, segredos e sinal
Dos pedreiros, dos maçons, da santa Sé
E gárgulas obedientes, no alto da catedral
Observam os homens, silenciosamente...

As gárgulas estão presentes, lá em cima...
Aguardam o julgamento, dos seres racionais
Afastando os intrusos, que ousam profanar
Os mistérios, e os segredos, do sacrossanto,
Sepultados nas criptas, embaixo de um altar...