quarta-feira, novembro 16, 2011

A Máquina do Tempo


I

Vejo crianças, homens, senhoras e as damas...
Fico por um instante contemplando, admirado.
Imagino ali, os casais, os filhos, e as amas,
Uma pharmacia, uma pracinha, um namorado...

É a Rua Direita, a Praça da Sé, e soldados,
As esculturas, igrejas, casarões, carruagem.
Vejo-me ali, naqueles tempos passados,
Numa regressão momentânea em viagem.

E o tempo conduz-me mais, mais e mais...
Vejo um trabalhador elegante empostado,
Naquelles dias, preto e branco da fotografia!

E o tempo conduz-me mais para trás...
Vejo Adão, vejo a terra, eu ao pó retornado,
No absconso mistério que Deus concebia!

II

Estou aqui, novamente como que perdido...
À espera de um trem, nesta estação, divago.
Olho à minha volta, estou também aturdido
Ontem nasci, o tempo passou, de repente vago...

Que passado é esse, misterioso, e intangível,
Abstrato, célere, irreal, e assim temporário?
Só sei que agora estou refém, agora passível,
Estou impotente, interajo, porém solitário...

Tento querer... Quero esse tempo paralisar!
Quero esse momento tão arredio segurar...
Não quero perder nem um último segundo!

-Lá vem o trem... Agora, preciso embarcar!
Nesse ato permissivo do tempo, ouso continuar...
Dou um passo, estou em mim, volto ao mundo!


Crédito das imagens: