segunda-feira, dezembro 05, 2011

A Fazenda



Nos galpões frios, das noutes infernais
Tão lutulentos, pútridos, bem vigiados
Abrigo d’almas, silente, de medos tais
Abrigam corpos, febris, enclausurados

Desfilam tristemente almas pesarosas
Corpos marcados, feios, esquálidos
De vestes rotas, sujas, e malcheirosas
Rostos tristes, cadavéricos e pálidos

E à noute quando rezam enclausurados
No sigilo das rezas, convulsivas, misteriosas
Nem um anjo, nem os bem-aventurados!

É nesta solidão das noutes infinitas, austeras
Onde as almas febris, exaustas, dilaceradas
Irão sair do inferno, para a Luz d’outras Esferas!


Escrevi esse poema após assistir ao filme O Menino de Pijama Listrado.
O Menino de Pijama Listrado narra a história da amizade entre Bruno, filho de um oficial nazista, diretor de um campo de concentração, e Schmuel, um menino judeu e um dos prisioneiros neste campo.
Os dois têm nove anos e até antes das atrocidades da guerra, levavam vidas muito parecidas, o que fica claro pela sutileza nos diálogos dos dois, e na própria realidade do campo e da casa do menino Bruno.
O campo de concentração parece aos olhos de Bruno, uma fazenda, visto da janela de seu quarto, onde vivem estranhos fazendeiros, que usam pijamas listrados o tempo todo. A rigidez, a dureza e a rispidez dos soldados lhe são reveladas aos poucos, que como um explorador, vai entendendo a natureza do trabalho de seu pai.
***
Um dado interessante, e utilizado neste filme, foram as películas produzidas pela propaganda nazista, onde nelas, são retratadas famílias judias vivendo nos campos de concentração, dando a impressão de estarem felizes e adaptadas em sua segregação.
Mas o intuito na verdade, era o de ludibriar a opinião pública e convencê-la de que uma "higienização  racial" seria benéfica para a sociedade da época.
E que por medo, intimidação ou preconceito, ou por falta de vontade de pensar por conta própria, acabavam por abraçar o nazismo na certeza de que estavam fazendo o melhor, para a implantação do III Reich.