terça-feira, janeiro 31, 2012

Morte do Poeta


Ao fechar meus olhos p’ra sempre,
E estas mãos para sempre parar;
E este corpo na terra em seu ventre,
Quais lembranças de mim vão restar?

Esta vida foi feita com lutas extremas,
Mas com um luto ela vai se encerrar.
Não terei mais os doces poemas,
P’ra minh’alma no além se alegrar...

Tive o amor benfazejo e as delícias,
Mas também meus invernos polares!
Inimigos d’alma e as doces carícias,
D’outros anjos, do céu, d’além mares...

Restará talvez breve lembrança,
Nesta Ode que a alma alcançar...
Talvez seja um alento ou bonança,
Para a alma em que ela tocar...

Só queria uma pedra epitáfio,
Com os versos de amor exaltar!
Deixo porém para o tempo,
O dia e a hora chegar!

domingo, janeiro 29, 2012

Um só Corpo Quatro Elementos

Sagrado Fogo, o elemento que dá vida, dádiva ardente!
Em Letras na pedra, escritas com labaredas à mão
Esculpiu os mandamentos, iluminou minha turva mente
Como sarça ardente na alma, guiando meu coração!
Ar que respiro, doado pelo Excelso Pai Amoroso,
Mantém o meu viver, bendito ar do Moto Contínuo!
O sangue que flui, com o sopro inefável ardoroso,
Contém o Ar emanado, da boca do Verbo Divino!
Água da vida, que brotou das palavras de Sabedoria,
Que ao saciar a sede, refrigera um coração desolado!
Lava minh’alma, limpa o corpo e renova toda energia,
Água bendita, fonte da vida, princípio de nosso legado!
Mãe Terra! De pequena criada na ciência do Eterno Deus!
Bendita seja Mãe criadora, que fecunda e gera mais vidas,
Quando nas Estações e com festas, abençoa os filhos teus;
Fazei de nós um só corpo contigo, no final de nossas lidas!




quarta-feira, janeiro 25, 2012

Sogno D’amore



Procurei pelos sonhos, em poemas e quimeras
Teu amor angelical nos perfumes entre as rosas;
No lirismo das palavras inefáveis e tão belas
Nas baladas de um amor, delicadas e amorosas.

Vi ainda teu encanto, amoroso, mas tão triste
Vi-te florescer, entre as rosas e o amor.
Foram meus anseios de um céu que não existe
São meus tristes sonhos sem beleza e sem cor.

São todos os sonhos de aromal enflorecido
Vagos pelo céu, entre as nuvens mesmo assim;
Lindo, esplendoroso, arrebatado, indefinido
Junto aos teus braços com amor e tudo enfim.

Ouço tua voz neste sonho esplendoroso
Sinto teu amor das notalgicas fragrâncias;
Vejo os meus sonhos desse amor maravilhoso
Todos acabarem na angústia das distâncias!



domingo, janeiro 22, 2012

Flores Doutra Primavera


As flores que no auge do esplendor
No perfume, na beleza e sentimento
Que na alegria, na tristeza e na dor
Vêm agora evocar um sofrimento...

Tristes versos, de ternura e de paixão
Feito ornatos de uma carta de amor
São os votos consagrados ao coração
Com as rosas e um poema sofredor...

Assim choro, nessa tal melancolia
De poemas que verti aqui na alma
Do amor que por ti me comprazia...

De palavras que levadas pelo vento
Das escritas acolhidas numa carta
E as flores que murcharam certo dia...


terça-feira, janeiro 10, 2012

A Velhice e Alguns Versos



Escrevendo

No transcorrer da escrita,
Onde fluem meus enredos,
Das glórias, inglórias,
Dúvidas, medo...
E na ilusão da vida,
Vivo um sofrimento.
No restante do espaço em branco,
São lágrimas molhando...


O Ancião

Ingratidão, desprezo e indiferença.
Sofre agora um homem idoso...
Relegado ao esquecimento num quarto
O velho vive assim de teimoso...

Quando não internado num asilo,
Por todos se torna um estorvo!
Os filhos que deviam amá-lo,
Pra eles se torna um louco!

Contudo, o velho,
Quando mais novo serviu!
Ao filho levou-lhe nas costas
A mãe carregou-lhe no ventre
Ainda no colo também.

Hoje, diz o filho raivoso:
-Está fazendo hora extra aqui,
Esse insano, infeliz e desditoso!


A Velhice

No cerne profundo e trôpego da memória
Carregas uma saudade e tantas nostalgias
Que adormecida na sombra da tua história
De noites tantas, de tantas quanto os dias...

Mas o inconsciente te consome e anestesia
Com os sentimentos febris e amordaçados
Mas tu'alma, te revolve, te enfada e alivia
Nas ilusões dos teus sonhos já findados...

Anatomia das recordações e das labutas
Que subtrai o cancro latente d’amargura,
Dolorosa via, mãos dolorosas, impolutas...

Fizeste da memória um precioso relicário
Florescendo no corpo da tua desventura,
Quer nos prantos, nos soluços, e no velário...


O desejo que as pessoas nutrem em ser jovens para sempre está arraigado desde tempos imemoriais.
A lenda da fonte da juventude ainda hoje faz parte dos contos de fada e histórias, passados de pais para filhos.
Atualmente os recursos materiais para manter uma jovialidade, dita moda em toda sociedade, e principalmente a Ocidental.
A aversão à velhice faz com que ela seja encarada com medos e temores, e faz com que não valorizemos o que de mais precioso há nisso.
A velhice, porém, traz um encanto e uma beleza que para muitos é difícil contemplar, por conta da degeneração ou decrepitude própria da matéria carnal.
Essa beleza é trazida ao longo de uma existência, na forma de sabedoria e experiência de vida.
Ser idoso confere a pessoa, um respeito por ter pela vida passado, com lutas, dificuldades e sofrimentos.
Desde seu nascimento até seu último momento, conseguiu o idoso passar pelas etapas mais difíceis.
No Oriente há toda uma cultura voltada a reverenciá-los e isso é muito louvável e digno.
Oxalá que possamos usufruir desse sentimento tão nobre.




terça-feira, janeiro 03, 2012

Lembranças de um Paraíso


Ouço sua voz, murmúrios incógnitos de grutas,
Como os hinos de amor, de nostálgica tristeza;
Como as lembranças mais sublimes e augustas,
Ecoar dentro de mim, com ternura e singeleza.

Ouço na hora das tristezas, e das melancolias,
Transcendente visão dessas lágrimas nascidas;
Seus afagos em meu coração, nas noites frias,
Em meus sentimentos e nas lágrimas perdidas.

Meu Deus! Aquela doçura que de tanta beleza
Dos gestos, do amor, da doçura, e da pureza
Volve a mim como as bênçãos, sutis e singelas

Sinto os enlevos, e os sonhos da noite mais bela
Adentrar esta minh’alma, ao ouvir o nome dela
Nas melodias distantes, saudosas d’outras eras