domingo, fevereiro 26, 2012

Inefável Desejo


Teu corpo sensual dos mistérios, da paixão,
Acende uma chama cintilante e um coração...
Esta forma curvilínea, sedutora e soberana,
De fremente sensação e de púrpura romana;
Exibe uma beleza mas também a nostalgia,
Dos mistérios de amor, solidão, melancolia...

Teu perfil revela a alma vaporosa dos desejos,
De um enlevo pueril, gracioso dos teus jeitos;
Que tu, rosa delicada, sedutora das quimeras,
Exala em aromas, doutros mares, doutras eras!
E para sentir o teu perfume, teus quebrantos,
As rosas para mim são martírios, são encantos!

Pois espiritualizei nos sonhos mais distantes,
Dos astros, dos sóis, das estrelas fulgurantes;
Toda esta dor que em minh’alma ora clama!
Dolorosa sensação, que por ela se derrama,
Por querer ver-te para mim, um Fado cantando,
Fosse no céu, na terra, ou numa estrela cintilando...

Mas quanto ao Amor, dos sublimes inefáveis,
Que as centelhas, transcendentes, insondáveis;
Em tu’alma apagar-se como apaga uma chama,
E esmorecer como voz que não vibra, não proclama;
Terás ascendido aos outros céus sublimes localizados,
Em meus sonhos inspiradores, duma Luz, eternizados!


segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Na Montanha


Na montanha, há um templo enclausurado...
O céu está azul com nuvens alvas, solitárias.
Olho esta montanha, contemplo extasiado.
Almas caminham em sua direção, solidárias...

O alto desta montanha me convida a escalar
Para lá de cima, avistar o mundo inteiro...
E quem sabe até onde, minha vista alcançar,
Sob uma brisa, e com um sol alvissareiro...

Quão sublime é esta serenidade tão superior
Que por um momento, arrebata, me conduz,
Para o alto dessa montanha, numa paz interior...

É minha inspiração, que conduz e que emana
Ao topo dessa montanha guiado por uma luz,
Talvez ingenuidade, ou quem sabe o Nirvana...


terça-feira, fevereiro 14, 2012

Desconexão

Há de chegar um momento em que a solidão será banida...

Dizem que para isso,
É preciso desligar o computador...
Para que tantas informações, disseram,
Se a vida é passageira, curta,
E muita coisa será deletada?
São milhares de informações
Downloads e tantos programas,
Discografias aos montões.
Enciclopédias, imagens,
E um universo dentro de casa...

Será que haverá tempo suficiente
Para baixar mais tantos gigas,
Se a vida é curta e nem tudo será usado?
E ainda que haja tantas redes sociais querendo te conectar;
Ainda existe uma real e anterior a essas.
–Um mundo lá fora!
Um mundo carente de um ato de Amor.

Porém,
Sabemos que logo iremos nos decepcionar...
Pois mentira, difamação, calúnia e
Falso testemunho são papéis a desempenhar,
E de quem menos imaginamos!

E se acharmos que somos o supra-sumo da humanidade,
Saibamos que sucumbiremos ao pó,
Igualzinho aos outros.
Pois quando somos avaliados por outros,
Também não somos nada,
Do que queremos aparentar.

De qualquer maneira,
Obrigo-me a ver dessa maneira;
Pois ao tirar os óculos de narciso,
E num lampejo de equilíbrio;
Revejo meus procedimentos.
Busco aceitar e fazer parte de cada cena,
Que arrisco na peça A Vida;
E fingir que ela vale a pena.
Ou serão esses procedimentos,
Uma tecnologia humana,
Ultrapassada e obsoleta?

Inspirado no poema Vida 2.0 (Um esboço)
do Bardo


terça-feira, fevereiro 07, 2012

Até Quando?


Ficarás nesta tua cândida meiguice
Nos teus sentimentos, em tua inglória?
Sinto tua angustia, sinto quanto é triste
Tua sina, teu enredo, e tua história...

Se o teu algoz, com castigos, com tormentos
Conduz-te, para o matadouro, nesta aflição
Tu choras angustiada, tu choras teus tormentos
Tu choras pelas sombras, de lágrimas em vão

Mas bem sei por que, ó vida soluçante!
Flor reclusa, dos reveses, íntimos, latentes...
Até quando, mártir, sofredora, lacerante,
Vais sangrar, vai gritar, ou para sempre?

Só sei que na obscura noite do teu leito
Quando a tua alma sufocada vai refém
Quando tuas lágrimas descem ao peito
Virá a salvação, do algoz que te detém?

É assim que eu te sinto, erma, sofredora!
Frágil, insegura, dilacerada, nesta agonia...
Clamando, com uma prece redentora,
Que há de te salvar, das mãos da alma fria!

É nas dores, dos teus soluços amargos
De choro, ais, em contorções nas noites
Que nos martírios, vorazes, e letargos
Teu sangue jorra em cálices de açoites...


As mulheres são as que correm maiores riscos de sofrer violência em ambientes domésticos e familiares e,
segundo as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS),
uma em cada quatro mulheres é vítima de abusos sexuais cometidos por seu parceiro ao longo da vida.
O "Relatório Mundial sobre Violência e Saúde", publicado hoje, quinta-feira, pela OMS,
afirma que quase metade das mulheres que morrem por homicídio é assassinada por
seus maridos ou parceiros atuais ou anteriores, uma porcentagem que se eleva a 70 por cento em alguns países.
A violência entre casais inclui atos de agressão física, assédio psicológico,
atos sexuais forçados e diversos tipos de comportamento,
como isolar uma pessoa de sua família e amigos ou restringir seu acesso a informação ou ajuda.



sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Brasil S/A

Este poema pertence à...
Uma Sociedade Anônima
Que nas calçadas da infâmia,
Onde gente endividada;
Com rostos e caras de rotos semblantes,
Sofrem, vomitam, se embriagam...

Uns
Pregam uma verdade
De bíblia na mão,
Pedindo uma oferta,
De seu coração!

Enquanto isso...
Miseráveis, perto de um Shopping,
Longe da glória...

Povo...
Sem identidade,
Angustiado, quieto, calado
Quer aparecer na TV!
Na TV Fama,
Aquela dos novos milionários;
Da televisão e da tenda dos milagres...

Enquanto isso,
Lá vem chuva...
Tempestade...
Presságio...
Lágrimas...
Dívidas...
Dúvidas...
Lá vêm Promessas!
Lá vêm os santos anjos guardiões
Salvadores e profetas do nosso apocalipse
Saídos do inferno, diretos ao Paraíso...

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Carpe Diem

(Pra não dizer que não falei das flores)
Dança esta alma à luz dos olhares
No crepitar de brasas dum fogo aceso
A emoção dá-lhe vida, a vida dá-lhe enredo
Sem rumo, sem céu, e à deriva por mares...

Emoções vagam em seus pensamentos
Pensamentos todos e os mais devassos
Que nesta alma aflita e sem os abraços
Escondem medos, temores e os tormentos

Subitamente, numa grande panacéia
Em seus devaneios abstratos duma idéia,
Tão mortais, que n’alma lhe sorriem

Arranca de sua alma as fontes nebulosas
E acha nessas fontes as graças prodigiosas
E em lágrimas diz para si: Carpe Diem!


“Por volta de 1997 começou com outra sensação estranha em sua cabeça. Não sabia se era uma piora da sensação anterior ou se era outra diferente. Uma sensação de descarga elétrica com o barulho característico de um curto circuito, zzzzzzzzzzzzzzzzz. Na época colocava suas mãos na parede ou no chão de cerâmica para descarregar, pois achava que poderia estar com muita energia acumulada. Outra sensação ruim lhe afligia naquela época e perdura até os dias de hoje, certa pressão na cabeça, que é diferente de uma dor de cabeça.” 
A. Santos


Um depoimento de Entendendo a Esquizofrenia.