sexta-feira, março 30, 2012

Flor Essência


É na doçura e no silêncio em que a noite se achega,
Que uma linda Flor vem ofegante, e está sorrindo!
A noite acolhe um beijo, minh’alma ardente chega,
Assim com tantos sussurros, e suas pétalas abrindo!

E eis que todo desejo por esta Flor, pura, venerada,
Ao mesmo tempo, carinhosa, erma, tão melindrosa;
No corpo da pura essência, fina Flor, tão delicada,
São todos desejos ocultos, por esta alma vaporosa!

Ah... Minha Flor angelical, tão formosa e exigente!
Trago nos cânticos, a paixão, a ternura e os vinhos,
Para aplacar este deserto, bárbaro, seco, inclemente;
Carente de amor, do teu frescor, dos teus carinhos!

Estás assim luminosa, cheia de beleza, de toda graça,
Evocando tuas virtudes, e como num enlevo nupcial;
Em doces tons rosados, como o vinho em uma taça,
Provo em teus lábios a essência, do amor primordial!

Sinto o sabor deste néctar, a escorrer em minha boca,
Feito um doce, dos mais suaves, de sagrada essência;
De beijos dados, que nesta veemência, insana e louca,
Dos céus é o gozo, das estrelas é a máxima ardência!

Neste ato celestino, onde a chama feito sarça ardente,
Do amor enclausurado, faminto, sofredor e passional;
Liberta todo desejo, tresloucado, insano e finalmente,
Fecunda, na essência desta Flor, doce fruto, angelical!




sábado, março 24, 2012

Ungida com as Flores



Com as flores que em teu corpo, vou ungir,
Com os aromas, com fragrância e devaneio;
Em minh’alma os teus carinhos, vou sentir,
E com os versos de amor que tanto anseio!

Pois com graça, vens adornada e sedutora!
Vem teu corpo e nas belezas perfumadas;
Sim, vem teu corpo na paixão fascinadora,
E com as flores mais bonitas e almejadas!

Pois são de origens divinais e embevecidas,
Com os mistérios, aguardados na distância;
São as visões celestiais, solenes e definidas,
Dos contos de Fada, e de outrora infância.

Mas este é o momento de chamar-te - Amada!
Com louvores e concebidos nesta louca paixão,
No esplendor deste momento, linda e adornada;
Que as flores te ungem, dentro desta afeição...

Pois em tua alma quisera minh’alma ascender,
E com tanto amor que minh’alma iria sentir;
Em êxtase arrebatador, duma noite e alvorecer,
Libertos, despojados, com as flores a nos unir!


terça-feira, março 20, 2012

Estrela Cintilante


Uma estrela cintilante está no alto
Será que tem tambores, tem guitarras e canções?
Ou estão a lhe esperar num lindo palco
Em um mundo radiante de sagradas emoções?

Será que neste mundo há tesouros aguardando
Pelo quais em holocausto sucumbiu com sua dor?
De repente, uma vela se apaga e vai levando,
As lembranças de seu brilho fenecidas no terror!

Mas a luta continua para nós seres mortais,
Com as bandeiras desfraldadas tremulando
Pelas vidas encerradas e que hoje não são mais!

Mas com as flores, com a paz, e alma forte,
Os arautos vão pintando os nossos sonhos
Que do mundo não sucumbem com a morte!


As crianças mais uma vez vez são vítimas da intolerância, do ódio e do terror.
Desta vez na França.


quinta-feira, março 15, 2012

O Maior dos Amores


Eu imagino que neste roteiro de tanta glória
És tu uma princesa e a fina flor da majestade;
A dama dos desejos, dos lírios, d’alma flórea,
Abrigo de tantos delírios, de amor, felicidade!

Mas penso temeroso quando tu vier a morrer
Que angústia e que dor pelas almas tornaria;
Que seria então de nós, todos então a sofrer,
Pois um céu enegrecido, sobre nós desabaria!

Todo sofrimento de tua vida, nos doces leitos
Ficará in memoriam, via crucis dos calvários;
Como néctar de teus lábios saciando os desejos,
De filhos desajustados, insanos, e tantos vários!

Mas teu corpo de luz, de mártir, tão despojado
Envolto em sedas, e nas mais cheirosas vestes;
Serás entre as primeiras, pelo Cristo abençoado,
Sob a glória divinal das lindas mansões celestes!

Creio que Ele ao ver teu corpo despedaçado
Magnificência, invólucro de uma alma bela;
Cure todas as feridas, de teu corpo profanado,
E seja lavado numa fonte, cristalina e singela!

Não será nenhum pecado, ironia atroz funérea
Imaginação minha, do pobre mortal que sou;
Comparar-te a uma princesa, dentro dessa matéria,
Quando estiveres nos braços, Daquele que te amou!





segunda-feira, março 12, 2012

Memórias de um Futuro


Em cada rio que seca
Em cada árvore arrancada
Em cada canto da serra
É a mata que agoniza

Em cada perfuração
No leito do mar sereno
Na mesa de um altar
Um corpo é oferenda

Quando o sol doer nas costas
Do homem sem direção
Quando se derem por conta
Da vida se lembrarão

Enquanto o tempo não vem
Nem chega o holocausto
A vida acaba aos poucos
Na areia do mar exausto

A terra, os campos, o céu
Sustém os sonhos febris
Delírios de um capital
Tornando alguém feliz

Enquanto o tempo não chega
Nem chega o fogo do sol
Solenemente aguardam
Concreto, cinza, e seol*...

*A palavra seol, de origem desconhecida, inspirava terror, mas não correspondia a uma noção muito definida. Significa a vida reduzida e silenciosa, sem qualquer relação com Deus, vivida pelos mortos condenados por seu comportamento na terra. Este lugar de permanência situar-se-ia nas profundezas da terra, onde os mortos descem para uma triste sobrevivência. Seu sofrimento é descrito como irremediável e como uma privação de tudo o que evoca, simbolicamente, a luz do sol. Seol e Hades significam sepultura em grego e em hebraico, portanto é a mesma coisa.


quinta-feira, março 01, 2012

Essência D’alma


Ó linda Flor, dos jardins, e dos altares
Graciosa Flor dos encantos de menina
Rosa virgem, perfumosa dos luares
Flor vermelha, taciturna e feminina

Do aroma, e dos mármores cinéreos
Da magia do amor e da límpida candura
Flor etérea dos amores, dos mistérios
Da beleza virginal e d’alma pura

Ó Flor casta, que aroma, que purifica
Que pranteia em cânticos sutis velados
De essência divinal, esplendorosa e rica
Que extasia com seus cânticos sagrados

Ó Rosa linda, Rosa virgem desconsolada
Rosa da solidão, espiritual e sedutora
Onde estará teu amor, alma desamparada
Amor dos devaneios, erma linda, sofredora?

Faz descer sobre mim, o véu do teu amor
Na unção adocicada dos teus encantos
Para difundir-me na essência da tua dor
Para consolar-te no âmago dos teus prantos!