sábado, maio 26, 2012

Orgia dos Deuses


Deuses! Que tão felizes, poderosos e replicantes!
Que adornam altares, nos templos e tantos vários,
Dos sonhos exuberantes, sensuais e fascinantes
Deuses brincalhões, iracundos, tão sanguinários!

Deuses! Nos ais desta dor, que parece um castigo
Que embalam nossos sonhos numa luz que irradia
Eram vós como a chama duma esperança, e abrigo
Era como via em vós, quando em dores de agonia!

São todos os sonhos cultivados em nosso jardim
Que florescem num mundo de utopia e almejados
São os sentimentos pueris, ingênuos que há mim
Que permeiam nestes sonhos, infantis, alucinados!

Vinde para esta vida, das luzes doces frementes!
Olhai esta seara, das terras estéreis, abandonadas,
De amores encerrados, fenecidos e transcendentes,
Vinde ver esta terra d’almas pobres e desgraçadas!

Às vezes em minh’alma, este amor que me apetece
Pulsa em meu coração por um mundo que tanto luto
Talvez sejam inspirações, sublime que mais parece
As Bem-Aventuranças de um amor que tanto escuto!




terça-feira, maio 15, 2012

No Entardecer


Quantas felicidades, com tu nesta vida...
Do amor mais sublime e um lindo querer!
Da vida amarga tornada tão linda,
Sonhada em minh’alma e um lindo viver...

Sonhada com o amor tão singelo glorioso,
Sonhada com estrelas ao céu envolver...
Eras tu, em meu sonho singelo e formoso,
Eras tu uma glória, que sempre quis ter...

Sensações dolorosas de uma vida acabando...
Sensações de uma vida sem graça ficar,
Sensações sepulcrais de uma vida expirando...
Descendo ao um leito na terra findar...

Há prelúdios, e há carinhos imensos,
Melancolias, perfumes, ermos lendários...
Há no entardecer, os brilhos intensos,
Há versos nostálgicos, pueris, solidários...


domingo, maio 06, 2012

Sagrado Coração


O virtuosíssimo coração desta poetisa,
Cujo anseio ardoroso, vaga pelo seio;
É alma pura, florescente em que veio,
Da terra fértil que é sua alma de artista.

Voz murmurante, incógnita das grutas,
Hinos de amor, de nostálgica tristeza!
Voz que ecoa, com ternura e singeleza,
Como as flores, tão sublimes, augustas!

Que as rosas sejam sempre teu querer!
Que fecundem em perfume inebriante,
Como a graça de uma estrela radiante,
E que abunde em sua alma o alvorecer!

Desça sobre ti a inspiração palpitante,
Poetisa que neste melancólico exílio;
Alma cantante, e fadista de um idílio,
Mas agora, tão feliz, serena e radiante!

Nesta inspiração, plena e abundante
Que em tuas letras a alma transparece,
São teus prantos que de Deus parece,
O Sagrado Amor, coração apaixonante!




Fiquei extasiado, e como que arrebatado a um distante rincão imaginário, onde pintei em minha mente um quadro de paz, de silêncio, de mar e onde a natureza do espírito prevalecia.
Isto tudo é o que consegui expressar quando ouvi pela primeira vez essa voz serena, doce, suave e distante, desta cantora portuguesa.
Sem sombra de dúvidas, e em minha opinião, depois de Amália Rodrigues, Portugal é agraciado com vozes brilhantes!
Tanto a fadista Mariza quanto o Grupo Madredeus transcendem! Transcedeu em minh'alma esta canção, ao ponto de me levar a compor Sagrado Coração.