quarta-feira, outubro 17, 2012

*Amor Surreal - Nas Bênçãos do Céu



Eis que um amor abrasador nos aguarda...
Com todos os ardores n’alma a crepitar;
Estamos em um delírio e alma extasiada,
Apenas a solidão, e o céu a contemplar;
Mais as estrelas, com uma lua adornada,
E este momento raro, de sonho realizar!

                    Tu, ó minha flor, minha dama enamorada,
                    Alimento da minha carne, e meus amores!
                    Ao som das cítaras e desta noite almejada,
                    Carrega em tu’alma, a chama e os fulgores;
                    Um amor delicioso, singelo na madrugada,
                    E todos os encantos, balsâmicos das flores!

Eis então, como a virgem do conto de fada!
As mãos junto ao peito fazendo uma prece.
Esta flor dos devaneios parece amargurada...
Para que sofrer, se este amor nos apetece?
Nada vai nos separar, linda flor dilacerada!
Para que sofrer, se este amor nunca perece?

                      Anjo da volúpia, graciosa, doce contemplação!
                      Vieste na transparência, de fina veste delicada,
                      Com tuas curvas languidas, imagem de sedução!
                      Cúmplices, e embriagados de amor, estávamos;
                      Carnal volúpia! Ruidosos, sôfregos, de paixão.
                      Com almas sedentas, ao céu juntos entrávamos!



*Do que o Amor não é capaz?

 Imagem: Arthur  Berzinsh
http://caraslegais.wordpress.com/2012/09/27/amor-surreal-de-arthur-berzinsh/




sábado, outubro 13, 2012

Brinquedos do Lixo


Os coletores do lixo logo mais irão chegar. 
O lixo acumulado recolherão bem cedo.... 
Um menino pobre da rua irá esperar, 
Do condomínio quem sabe um brinquedo. 

Mesmo que seja defeituoso ou quebrado, 
O pobre menino ansioso não vai rejeitar. 
Mesmo uma panela, ou um colar usado, 
Para sua mãe, quem sabe a ela agradar...

Menino descalço, pobre e alegre! 
Que com tão pouco se contenta, 
No entanto para ele tudo é festa! 

Os brinquedos que agora são descartados, 
Que um dia foram presentes na vida de outro guri, 
Faz-se presente agora, na vida de outro que ri... 



Doze de outubro comemora-se o Dia da Criança no Brasil. 
Não poderia deixar passar em branco esta data, sem prestar uma homenagem a elas. Crianças que no país estão à mercê da desigualdade social e de um sistema educacional falho. (Um exemplo disso, e para quem não sabe, é que nenhum político matricula seus filhos em escola pública). Crianças que sofrem; que são violentadas, que são agredidas, e tem sua infância roubada, quando desgraçadamente nascem na miséria. Sofrem ainda mais quando lhes faltam opções de um lazer descente e sadio em sua própria comunidade. Crianças que se não tiveram a sorte de nascerem num lar bem estruturado, poderão ser alvo dos lobos sedentos por seu trabalho em uma carvoaria em algum lugar do norte do país, ou a serviço da criminalidade. A base da educação está no lar. E é no lar que a criança deve ser educada e preparada para um futuro que a dignifique. “São sementes, e serão frutos bons se também a terra estiver bem preparada”. Não raro, vejo crianças andarilhas nas avenidas mais movimentadas pedindo esmola ou vendendo bugigangas para o sustento da família. Outra cena apocalíptica é ver nos aterros e nos lixões, elas revolvendo os monturos para encontrar algo que seja útil, ou até mesmo restos de alimento. Uma cena muito tocante para mim foi quando num condomínio próximo, obervar que no horário da coleta do lixo, estavam lá algumas delas aguardando o caminhão chegar. Crianças paupérrimas esperavam que os coletores lhe separassem um brinquedo, mesmo defeituoso ou quem sabe uma panela usada, ou outro utensílio de uso doméstico para levar para a mãe. 


Imagem:


Este poema faz parte da II Coletânea Textos Seletos
Editora Pensata 2010


segunda-feira, outubro 08, 2012

Esfinge


Solene, tu observas uma caravana passar... 
Do alto de teu semblante, divino e ostentoso,
Que o tempo teimoso ainda ousa escavar,
E deste enigmático olhar, divino e tenebroso...

Certo ar de mistério aterrador, te faz majestosa...
Quem desvenda o mistério de teu distante olhar?
Óh quimera de míticos deuses, de Tebas gloriosa,
E de um segredo oculto, de séculos a desvendar!

Tu passaste quase intacta pelos bacanais faraônicos,

E nas lembranças da praga furiosa cair sobre o povo;
Que tu indiferente, presenciaste dos deuses atônitos, 
Vendo cair ao Nilo, com mortandade, sangue e fogo! 

Tu observas vidas atravessando, em dores e agonias,
Os amores, as guerras, o auge, o declínio e má sorte... 
Não fingiste, porém, quando eras tu naqueles dias, 
A protetora e guardiã dos filhos, da vida e da morte! 


A mais popular esfinge brasileira é a Pedra da Gávea, localizada no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara. No alto de uma montanha granítica, está um ser, cujo corpo bovino ostenta uma colossal cabeça humana. Alguns acreditam que seja uma formação natural, outros acham que é obra de seres humanos em tempo remoto.
A Esfinge brasileira esconde segredos indecifráveis. Muitos dos seus mitos ainda são especulações. Mas a esfinge brasileira oculta muito segredos que cativa os visitantes. Qual a chave para decifrá-los?
No século passado encontrou-se nas paredes da montanha uma série de riscos que alguns estudiosos interpretaram como uma antiga inscrição. Alguns atribuiram-na aos fenícios, povos navegantes do Mediterrâneo, que acidentalmente chegaram às costas do Brasil, antes que Pedro Álvares Cabral.



quarta-feira, outubro 03, 2012

Os Sapos


Já é tardezinha,
Estou chegando do trabalho...


 Venho da grande cidade.
Venho do seu burburinho,
Do apito, sirene, e da agitação.

E pra falar a verdade,
Estava de “saco bem cheio”,
Com tanto barulho por lá,
Com todo o agito urbano,
Com tanta poluição...


Estou muito ansioso,
Para em casa estar.
É como adentrar ao um Plano,
Doutra esfera, doutro rincão...

 É quando me aproximo de um lago,
Junto a estrada de terra
Daquilo que ainda restou...


 As máquinas e todas as obras,
As vigas e o chão de concreto,
Destroem o ecossistema
Que a fauna e a flora dotou.

Vejo uns sapinhos ligeiros,
Vindo em minha direção;
Parecem ao meu pensamento
Darem boas vindas a mim,
Ao um reino de linda visão.

Assusto-me com as criaturas!
Mas paro pra elas olhar...
Não sabem o que lhes aguarda
Quando o progresso chegar...


 Reflito por um instante,
Em nosso planeta a girar,
Levando num vasto universo;
A fauna, a vida e a flora,
Que Deus permitiu ao homem
Que tudo pudesse cuidar...

Já é tardezinha, sei disso!
Mas resolvo neste momento,
No mato sozinho adentrar...

Preparo a alma e contrito,
Como a uma orquestra de gala;
Por entre as folhas olhar!

Assisto como em camarote,
Todos os sapos do lago,
No lago p’ra mim  coaxar !



E assim foi que, o pequeno lago situado numa zona rural do bairro de Laranjeiras, no município de Caieiras, durou até quando a especulação imobiliária resolveu encerrar de vez aquele pequeno paraíso; universo das rãs, sapos, e algumas espécie de aves...
Hoje predomina ali, um conjunto residencial. A natureza primitiva ficou enterrada no passado. Ao invés do coaxar dos anfíbios à noite, sobrou aos nosso ouvidos, o ronco dos motores...