sexta-feira, abril 27, 2012

Flor do Templo


 Óh Flor, que aroma os sonhos de insanos desejos secretos,
Procuram por ti, tantas almas, pelas vastidões do infinito!
Tu que em teu leito adornado de tantos beijos e mil afetos,
Deusa do Amor! Do mais puro, cândido, sublime, bendito!

Através do teu perfume, e onde se condensam tuas belezas,
Néctar do meu amor, da minha fé, e daquilo que comungo!
És bálsamo que inebria minha alma com místicas purezas,
No jardim do templo dos lindos sonhos, e sagrado mundo!

Óh Flor dolente, e ao mesmo tempo, plangente, dilacerada,
Flor da realeza, dos campos adormecidos, do meu coração;
Leva contigo essa doce canção tão loucamente amargurada
E esta saudade que ora invade, nesta extasiante fascinação.

Óh encantadora Flor do templo, sinto em ti certo abandono
Flor de uma formosura que passou pelas estações d’outrora!
Há certa graça mística, singela, desbotada, de outro outono
Neste momento que minh’alma medita, e por ti ainda chora!