quarta-feira, outubro 03, 2012

Os Sapos


Já é tardezinha,
Estou chegando do trabalho...


 Venho da grande cidade.
Venho do seu burburinho,
Do apito, sirene, e da agitação.

E pra falar a verdade,
Estava de “saco bem cheio”,
Com tanto barulho por lá,
Com todo o agito urbano,
Com tanta poluição...


Estou muito ansioso,
Para em casa estar.
É como adentrar ao um Plano,
Doutra esfera, doutro rincão...

 É quando me aproximo de um lago,
Junto a estrada de terra
Daquilo que ainda restou...


 As máquinas e todas as obras,
As vigas e o chão de concreto,
Destroem o ecossistema
Que a fauna e a flora dotou.

Vejo uns sapinhos ligeiros,
Vindo em minha direção;
Parecem ao meu pensamento
Darem boas vindas a mim,
Ao um reino de linda visão.

Assusto-me com as criaturas!
Mas paro pra elas olhar...
Não sabem o que lhes aguarda
Quando o progresso chegar...


 Reflito por um instante,
Em nosso planeta a girar,
Levando num vasto universo;
A fauna, a vida e a flora,
Que Deus permitiu ao homem
Que tudo pudesse cuidar...

Já é tardezinha, sei disso!
Mas resolvo neste momento,
No mato sozinho adentrar...

Preparo a alma e contrito,
Como a uma orquestra de gala;
Por entre as folhas olhar!

Assisto como em camarote,
Todos os sapos do lago,
No lago p’ra mim  coaxar !



E assim foi que, o pequeno lago situado numa zona rural do bairro de Laranjeiras, no município de Caieiras, durou até quando a especulação imobiliária resolveu encerrar de vez aquele pequeno paraíso; universo das rãs, sapos, e algumas espécie de aves...
Hoje predomina ali, um conjunto residencial. A natureza primitiva ficou enterrada no passado. Ao invés do coaxar dos anfíbios à noite, sobrou aos nosso ouvidos, o ronco dos motores...