sábado, outubro 13, 2012

Brinquedos do Lixo


Os coletores do lixo logo mais irão chegar. 
O lixo acumulado recolherão bem cedo.... 
Um menino pobre da rua irá esperar, 
Do condomínio quem sabe um brinquedo. 

Mesmo que seja defeituoso ou quebrado, 
O pobre menino ansioso não vai rejeitar. 
Mesmo uma panela, ou um colar usado, 
Para sua mãe, quem sabe a ela agradar...

Menino descalço, pobre e alegre! 
Que com tão pouco se contenta, 
No entanto para ele tudo é festa! 

Os brinquedos que agora são descartados, 
Que um dia foram presentes na vida de outro guri, 
Faz-se presente agora, na vida de outro que ri... 



Doze de outubro comemora-se o Dia da Criança no Brasil. 
Não poderia deixar passar em branco esta data, sem prestar uma homenagem a elas. Crianças que no país estão à mercê da desigualdade social e de um sistema educacional falho. (Um exemplo disso, e para quem não sabe, é que nenhum político matricula seus filhos em escola pública). Crianças que sofrem; que são violentadas, que são agredidas, e tem sua infância roubada, quando desgraçadamente nascem na miséria. Sofrem ainda mais quando lhes faltam opções de um lazer descente e sadio em sua própria comunidade. Crianças que se não tiveram a sorte de nascerem num lar bem estruturado, poderão ser alvo dos lobos sedentos por seu trabalho em uma carvoaria em algum lugar do norte do país, ou a serviço da criminalidade. A base da educação está no lar. E é no lar que a criança deve ser educada e preparada para um futuro que a dignifique. “São sementes, e serão frutos bons se também a terra estiver bem preparada”. Não raro, vejo crianças andarilhas nas avenidas mais movimentadas pedindo esmola ou vendendo bugigangas para o sustento da família. Outra cena apocalíptica é ver nos aterros e nos lixões, elas revolvendo os monturos para encontrar algo que seja útil, ou até mesmo restos de alimento. Uma cena muito tocante para mim foi quando num condomínio próximo, obervar que no horário da coleta do lixo, estavam lá algumas delas aguardando o caminhão chegar. Crianças paupérrimas esperavam que os coletores lhe separassem um brinquedo, mesmo defeituoso ou quem sabe uma panela usada, ou outro utensílio de uso doméstico para levar para a mãe. 


Imagem:


Este poema faz parte da II Coletânea Textos Seletos
Editora Pensata 2010