domingo, agosto 16, 2015

O Grasnar do Corvo

(Meu Tributo a Edgar Allan Poe)


O Grasnar do Corvo
(Meu Tributo a Edgar Allan Poe)

Deu meia-noite... Lá fora a brisa vem fria, amortalhada...
A lua aparece por detrás das nuvens ralas, pavorosas.
Um corvo esconde-se no sótão de uma casa abandonada,
Onde havia decerto lembranças, decrépitas e tenebrosas...

Arrepia-me a pele, só de pensar, caso ali eu estivesse,
A provar daquilo que sou capaz, sozinho e ninguém mais!
Mas, lembrei-me de um fato, de algo que não se esquece...
Aquela casa já foi usada no funeral do amor de um rapaz!

Mas não me contenho! Irei àquela casa provar o que não sou!
Lembrei-me dos homens de Deus, dos Arcanjos e Serafins!
Com a alma fortalecida, rezei apavorado, mas fui até o fim...

Tremia até os ossos, suava toda camisa, não sei se me borrava...
Pensei naquela tolice... Por que me arriscar por algo e nada mais?
É quando sai a ave, roçando-me a cabeça, à noite grasnando Ais...

Filho de pais atores, Edgar Allan Poe nasceu no dia 19 de janeiro de 1809, em Boston, EUA,
e se notabilizou, pelos contos repletos de mistérios e morbidez.
Seu pai David Poe, casou-se com uma atriz inglesa chamada Elisabeth Arnold.
Tivera mais dois irmãos, e os pais faleceram após o nascimento da filha Rosalie. Para não ficarem desamparados, foram adotados pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.
Mas o início com seus pais adotivos foram muito difíceis, e isso, fez com que Poe carregasse para o resto de sua vida, toda uma amargura e um pessimismo oriundo dessas dificuldades. Estudou na Inglaterra quando jovem, e mais tarde retornou aos Estados Unidos, para freqüentar as Universidades de Charloteville e Virgínia.
Por ter um espírito aventureiro e indisciplinado, e por não se enquadrar nos padrões da época, acabou sendo expulso da Universidade de Virgínia. Mais tarde, foi para a Grécia lutar contra os turcos. Ao voltar para seu país, alista-se no Batalhão de Artilharia, e consegue uma indicação para Academia Militar de West Point. Mas não prossegue por muito tempo com a carreira militar. Estava voltado mesmo, era para as poesias, depois de haver publicado seu primeiro livro de poemas, Tamerlane and other poems, by a Bostonian. Em 1833, ganha um prêmio do jornal Philadelphia Saturday Visitor com o conto Manuscript found in a bottle.
O diretor do jornal com pena da situação em que se encontrava Poe consegue-lhe um emprego no Southern Literacy, mas o mesmo fica por pouco tempo devido ao alcoolismo.
O casamento com Virgínia, sua prima de apenas 13 anos, torna-o mais confiante, e ele começa a trabalhar em diversos jornais em Nova Iorque e Filadélfia.
Em 1840, publica sua primeira coleção de contos, Tales of grotesque and arabesque e Os crimes da Rua Morgue, apresentando a figura do detetive Dupin, antecessor de Sherlock Holmes.
Mas novamente o destino o surpreende. Sua mulher é acometida de tuberculose, doença que vitimou seus pais. Edgar volta ao alcoolismo e vê na companhia do seu amigo Frances Osgood, uma tentativa de esquecer suas dores. Em 1847, com a morte de sua mulher, Poe se afunda num estado de total angustia e volta novamente para o alcoolismo. Já estava com 40 anos de idade, quando numa taberna em Baltimore, passa mal e acaba falecendo três dias depois, após ser hospitalizado. Isso foi no dia sete de outubro de 1849.
Os contos de Edgar Allan Poe são carregados de um profundo sentimento, emanados da alma, e com uma aura de mistério. Sempre acompanhados com um toque de morbidez, as histórias possuem uma narrativa surpreendente, e impressiona pela beleza artística, o que torna o escritor, um monumento dentro do estilo literário dos contos de terror.

5 comentários:

Olinda Melo disse...


Allan Poe, grande ficcionista policial, considerado o inventor deste género de literatura.
Gosto muito de livros policiais, de seguir o enredo e o suspense e de acompanhar o autor na descoberta dos maus da fita.
O Poema com o que homenageia traz-nos também aquele quê de imprevisto tão ao gosto deste tipo de ficção.
Parabéns, caro Antônio.
Abraço
Olinda

Emília Pinto disse...

E que bom é ver-te de volta, querido amigo! Trouxeste-nos Allan Poe e apesar de ter gostado do poema, não costumo ler livros policiais, pois não são os que mais me agradam; vejo filmes desse tipo, mas livros não costumo ler. A leitura é um dos meus passatempos preferidos e se me caír um policial na mão com certeza que leio, mas não me seduzem. Muito obrigada pela partilha e, principalmente, por teres voltado aos teus amigos. Fica bem, António e até sempre. Um beijinhos
Emília

Rosa disse...

Gosto muito deste escritor. Quanto sofrer para uma única criatura... excelente post. Abraços.

Rosa disse...

Gosto muito deste escritor. Quanto sofrer para uma única criatura... excelente post. Abraços.

LUCONI MARCIA MARIA disse...

Nunca imaginei que a vida dele fosse tão angustiante, repleta de acontecimentos que desequilibram mesmo qualquer um principalmente se não houver um alicerce, ou um pilar para se apoiar, pena lemos os livros e não imaginamos o que se esconde atrás de quem os escreve, bjos Luconi