quarta-feira, outubro 21, 2015

Felina


Esta volúpia sinuosa apetece e me apanha...
Ardorosa brisa quente, névoa no entardecer,
Que apraz, que seduz; em mim se entranha,
Tão suave que alucina, faz a alma arrefecer!

Mas eis que te vejo nua, na síncope do dia,
A tintura de tua carne, aveludada, quente;
É sangue rubro, qual enorme hemorragia,
De um rosado puro, na mistura do poente.

Fogo do meu fogo, pura essência vaporosa!
Assim como o fogo que aquece, que abrasa,
Assim é tal paixão, alucinante e calorosa...

Mas tu, vida minha! Minha alma minha,
Nutre-me com mais amor, tal qual leoa,
Em transfiguração, de felina e andorinha!
  

segunda-feira, outubro 19, 2015

Infinitude


O caos da matéria no vasto infinito arde,
Em estrelas cintilantes no etéreo divino;
Explosões que abundam na imensidade,
Nos ardentes desejos do eterno destino...

Tamanha visão é este caos atordoante,
Que das nebulosas emitem um fogo halo;
Dão-me pesadelo, quero gritar ofegante,
Suplico acordar, imploro a Deus, não calo!

Misteriosa vastidão do ad infinitum veste,
Tênue penumbra que a matéria esconde,
Morrem as estrelas, está em luto o espaço...

Mistérios a vagar com a solidão celeste,
Enclausurados em meus pensamentos,
Aturdido acordo de vez, a cada dia renasço...